VAREJOLojas Marabraz pede recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 mi

publicidade

A Lojas Marabraz, conhecida rede de móveis e eletrodomésticos de São Paulo, entrou com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista. A companhia busca proteção legal para renegociar uma dívida estimada em R$ 140 milhões e garantir a continuidade dos seus negócios.

Na petição, a empresa pede urgência no processamento do caso para que seja suspensa a cobrança de execuções contra a rede. Com isso, a administração pretende ganhar tempo para apresentar um plano de reestruturação financeira que permita manter as atividades e preservar os empregos.

A crise da Marabraz é atribuída a uma combinação de fatores que vem afetando o varejo nacional. Entre eles, estão as elevadas taxas de juros, a queda no consumo das famílias, o crescimento da inadimplência e disputas internas entre sócios e familiares.

Esses elementos, segundo informações divulgadas pela empresa, reduziram a capacidade do grupo de captar novos recursos e renovar linhas de crédito no mercado financeiro. A empresa dependia de financiamentos para sustentar suas operações, o que se tornou inviável com o cenário adverso.

Historicamente, a família fundadora da Marabraz utilizava imóveis próprios como garantia para obter empréstimos bancários. No entanto, os conflitos societários levaram à perda do controle sobre as sociedades que detinham esses ativos.

Sem o patrimônio imobiliário para oferecer como garantia, a rede perdeu o lastro exigido pelas instituições financeiras. Isso comprometeu a renovação dos créditos existentes, inviabilizou novas contratações e endureceu as condições de financiamento.

Além dos problemas internos, a Marabraz enfrenta a transformação do comércio, com o avanço do e-commerce e a mudança de hábitos dos consumidores. A redução das compras presenciais também pesa sobre o desempenho da companhia.

O pedido da Marabraz reflete um momento difícil para o varejo brasileiro, que registrou 194 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, conforme levantamento da Serasa Experian.

Outras grandes empresas também estão adotando medidas para reestruturar suas dívidas. A Raízen, por exemplo, recorreu à recuperação extrajudicial, enquanto a Casas Bahia avalia alternativas para ajustar seu passivo.

A rede Marabraz já chegou a operar 135 lojas na Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e em cidades do interior do estado. Atualmente, a operação está reduzida, mas a meta é preservar as unidades em funcionamento.

Com a recuperação judicial, a empresa espera congelar execuções de dívidas e negociar com credores de forma organizada. O objetivo é encontrar uma solução que equilibre as finanças e assegure a sobrevivência da marca, uma das mais tradicionais do setor no país.

Especialistas apontam que o sucesso do plano dependerá da capacidade da Marabraz de reestruturar sua dívida e ajustar seu modelo de negócios às novas condições do mercado, incluindo maior presença digital e gestão enxuta.

A decisão judicial sobre o pedido da Marabraz é acompanhada de perto por credores e funcionários, que esperam que a recuperação preserve postos de trabalho e garanta o pagamento dos valores devidos.

Fonte: ND+

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade