VIOLÊNCIA EXTREMAMãe justifica espancamento seguido de morte de filho de 3 anos por cultura e religião

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A polícia do Rio Grande do Sul revelou que a mãe do menino de três anos morto após ser espancado por não cumprimentar o pai tentou justificar as agressões alegando que faziam parte da cultura e da religião da família. Mayanna Angelina Rodgers e o marido, o missionário americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, estão detidos em Viamão, onde o crime ocorreu no domingo (5). A criança teve morte encefálica confirmada na quarta-feira (8).

De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Mayanna também pode ter agredido os filhos. Ela nega as acusações, mas afirmou que o marido estava disciplinando as crianças de forma rígida, o que ela considerava adequado. A delegada classificou a violência como hedionda, motivada pela crença de que a cultura e a religião deles indicavam aquele tipo de correção.

As lesões foram tão graves que deslocaram o coração da criança e achataram o crânio. A delegada considera improvável que a mãe, que estava no quarto ao lado, não tenha ouvido os sons da agressão ou não tenha tentado intervir. Dandre também é investigado por possíveis episódios de violência doméstica contra a esposa, e uma medida protetiva havia sido solicitada anteriormente.

A Interpol foi acionada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul para verificar se o missionário tinha registros de agressões anteriores nos Estados Unidos. A família reside no Brasil há nove anos. A polícia descobriu que, em pelo menos outros dois estados brasileiros, incluindo Santa Catarina, há indícios de que os outros três filhos do casal, de 5, 7 e 9 anos, também sofreram agressões semelhantes. Um bebê de 1 ano também é filho do casal, mas não há confirmação de violência contra ele.

A subprocuradora para assuntos institucionais do MP, Alessandra Moura Bastian da Cunha, informou que ainda não há detalhes se a família já era monitorada ou se havia registros policiais anteriores. Os antecedentes estão sendo solicitados para verificar se já existia um perfil criminoso relacionado a essas agressões. No Rio Grande do Sul, não havia qualquer comunicação ao MP antes de a criança ser levada ao hospital.

Os outros filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. O pai confessou o crime, detalhando que desferiu socos no peito e no abdômen da criança e bateu a cabeça do menino contra o chão na residência da família, em Viamão. Em janeiro deste ano, a criança já havia sofrido uma fratura no braço, justificada como acidente doméstico no sofá. Além disso, o filho mais velho, de 9 anos, foi levado a um centro de saúde com um ferimento no rosto, conforme o prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti.

Fonte: NSC Total

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