INSEGURANÇAMedo da violência atinge 80% dos brasileiros, revela pesquisa nacional

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Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31) revela que oito em cada dez brasileiros sentem medo de sair de casa à noite, evidenciando um cenário de insegurança generalizada. O estudo, realizado pelos institutos Update e Fogo Cruzado, aponta que as mulheres são as mais afetadas por essa realidade.

De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados já deixaram de frequentar lugares de sua preferência, e 30% abandonaram o uso de transporte público por receio da violência urbana. Esses números reforçam o impacto do crime na rotina da população.

A pesquisa também revela uma contradição: embora haja forte demanda por punições, a confiança nas instituições é baixa. Apenas 41% acreditam que a polícia protege a população, e somente 22% percebem melhorias na segurança após operações policiais.

Os dados mostram que 49% dos entrevistados consideram que prisões ajudam a reduzir a violência, enquanto 45% atribuem esse papel à educação e às políticas sociais. Essa divisão de opiniões indica uma busca por soluções imediatas e estruturais.

Para Maria Isabel Couto, diretora de dados e transparência do Instituto Fogo Cruzado, as respostas punitivas não atacam as causas do problema. “Essas penas não atuam na prevenção, tampouco reduzem o medo. Faltam ideias relacionadas a políticas públicas e esse é o caminho para um melhor debate sobre segurança no país”, afirma.

Embora homens e mulheres apresentem níveis gerais semelhantes de insegurança, o estudo identificou diferenças significativas nos tipos de violência temidos. As mulheres relatam mais medo de violência doméstica (11 pontos percentuais a mais) e abuso sexual (6 pontos a mais), além de maior proporção de vítimas de assédio e abuso físico ou psicológico.

Para 92% dos ouvidos, as mulheres estão expostas a riscos que os homens não enfrentam, mostrando que essa percepção é quase consensual no país. A pesquisa também aponta que transporte público, pontos de espera e corridas por aplicativo estão entre os locais que mais geram medo no público feminino.

Enquanto 39% das mulheres dizem se sentir inseguras no transporte público, apenas 26% dos homens relatam o mesmo. Essa realidade leva muitas mulheres a mudar trajetos, evitar horários noturnos e até recusar oportunidades de trabalho ou estudo que exijam deslocamentos em áreas perigosas.

Essa rotina de adaptação constante à violência afeta a circulação, o trabalho, o estudo, o lazer e a convivência, gerando exaustão, ansiedade e estresse. Muitas mulheres relatam necessidade de acompanhamento médico ou psicológico para lidar com o medo.

Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, destaca que a insegurança limita a liberdade feminina de forma concreta. “Quando uma mulher deixa de aceitar um trabalho, usar transporte público, frequentar lugares ou sair à noite por medo da violência, a insegurança passa a definir os limites da sua rotina. É nesse sentido que dizemos que o medo encolhe o mundo das mulheres. Segurança pública também trata da liberdade concreta de circular, trabalhar, estudar, cuidar e participar da vida pública”, afirma.

A pesquisa também revela que as mulheres se reconhecem como parte da solução para o problema. Entre as entrevistadas, 70% concordam que as mulheres têm melhores ideias para a segurança pública, enquanto apenas 13% dos homens compartilham dessa opinião.

Essa percepção atribui legitimidade às experiências femininas no debate. Nos grupos de discussão, as participantes associaram lideranças femininas a maior sensibilidade no combate à violência contra a mulher, citando nomes de diferentes espectros políticos.

Além disso, surgiram propostas que ampliam a noção de segurança, como melhoria da iluminação pública, do transporte, cuidado com áreas abandonadas, educação, prevenção à violência de gênero e fortalecimento de redes comunitárias.

Carol Althaller ressalta que as mulheres não devem ser vistas apenas como vítimas. “Quando as mulheres falam sobre o tema, aparecem dimensões que muitas vezes ficam fora do centro do debate. Isso não substitui outras respostas de segurança, mas mostra que proteger a população também passa por garantir condições reais de circulação, convivência e participação na cidade”, completa.

O levantamento também mostrou que 93% dos entrevistados consideram a segurança pública um tema importante para as eleições de 2026. Como as mulheres representam a maioria do eleitorado, a pesquisa ajuda a entender as preocupações que podem influenciar o debate político nos próximos anos.

O estudo ouviu 2 mil pessoas em todas as regiões do país, com duas frentes qualitativas: uma dedicada ao impacto da insegurança no cotidiano feminino e outra sobre segurança e violência armada, com grupos separados por gênero em diferentes capitais.

Fonte: CNN Brasil

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