O falecimento de um recém-nascido de apenas um mês durante uma remoção entre unidades de saúde no Oeste catarinense provocou indignação e dúvidas por parte da família. O episódio aconteceu em 20 de julho, quando a criança era levada para um centro mais especializado em razão da piora de seu estado clínico.
De acordo com os pais, o menino havia completado 30 dias de vida no dia 18. Ele começou a apresentar sintomas gripais e desconforto respiratório. A família o levou a uma emergência e, depois, ao Hospital da Criança de Chapecó, onde a orientação inicial foi realizar nebulizações em casa. Contudo, como não houve evolução, foi necessário retornar.
No dia 19, o bebê foi admitido na unidade hospitalar. Os pais relataram que os médicos disseram que seria preciso uma vaga em terapia intensiva pediátrica, porém não havia leito disponível na cidade. Por isso, a solução apontada foi o encaminhamento para um hospital em Concórdia.
A transferência ocorreu em 20 de julho. Segundo os pais, o veículo usado não possuía incubadora ou características de unidade móvel de terapia intensiva; relatam que a criança foi acomodada em uma maca destinada a adultos. Durante o deslocamento pela SC-155, próximo a Xavantina, o quadro clínico do bebê teria se agravado.
A família afirmou que uma segunda ambulância foi enviada para dar suporte, mas o recém-nascido não resistiu e morreu no local. Os pais demonstraram insatisfação com a demora no acionamento de apoio e manifestaram incertezas sobre a presença de fármacos e aparelhos adequados durante o atendimento. O caso foi levado à imprensa para obter esclarecimentos.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde garantiu que a remoção foi feita pelo SAMU e que a viatura de suporte avançado empregada estava completamente equipada, com todos os materiais, medicamentos e equipamentos essenciais. O órgão não reconheceu nenhuma carência logística.
A pasta também explicou que os protocolos para transporte pediátrico levam em conta diversos fatores, como massa corporal, faixa etária e condições clínicas do paciente. O caso segue sob investigação do SAMU e da FAHECE, entidade responsável pela gestão do serviço.
Sobre a oferta de leitos, a Secretaria informou que a região do Grande Oeste recebeu recentemente cinco novas vagas de UTI pediátrica e quatro de suporte ventilatório. Esses números se somam aos 20 leitos de UTI neonatal e cinco pediátricos que já estavam em funcionamento.
O comunicado ressaltou que as transferências entre hospitais têm como objetivo posicionar os pacientes conforme as necessidades de cada caso, priorizando a qualidade da assistência. No entanto, a gestão estadual não apresentou detalhes sobre a ocupação de leitos no momento exato em que o bebê precisou ser movido.
A família do menino aguarda um desfecho sobre a apuração e espera que as autoridades esclareçam as circunstâncias que levaram à morte durante o trajeto. O caso reacende o debate sobre a infraestrutura de saúde na região e a logística de atendimento de emergências pediátricas.
Especialistas ouvidos de forma extraoficial destacam que o transporte seguro de crianças em estado grave exige cuidados específicos e equipe treinada. A falta de vagas em unidades de terapia intensiva é um problema recorrente em diversas regiões do país, o que acaba forçando deslocamentos de longa distância.
Entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente também demonstraram preocupação com o ocorrido. Elas recomendam que os órgãos competentes investiguem não apenas a conduta da equipe envolvida, mas também a política de regulação de leitos, a fim de evitar novas tragédias.
A Secretaria de Estado da Saúde finalizou a nota afirmando que todas as providências estão sendo adotadas para esclarecer o episódio, e que novas informações serão divulgadas assim que a investigação avançar. O caso segue em análise interna e poderá gerar ajustes nos fluxos de atendimento.
Fonte: NSC Total


























