Materiais de campanha divulgados neste sábado (29) por candidatos da Grande Florianópolis com chances reais de vitória revelam um movimento que contraria a expectativa inicial. Aliados que antes indicavam apoio automático à dupla formada por Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, para o Senado, agora sinalizam que podem seguir caminhos distintos.
O candidato do Novo, Crislan, que tem como referência o deputado federal Gilson Marques, optou por incluir apenas o nome de Carol de Toni em seu material de campanha, deixando Carlos Bolsonaro de fora. No espaço que poderia ser destinado a uma segunda indicação ao Senado, há apenas um vazio, sem nenhum outro nome mencionado. A decisão chama atenção por ocorrer em um momento em que as alianças ainda estão sendo consolidadas.
Já o candidato Camilo Martins foi ainda mais direto: retirou Carol de Toni da peça e passou a estampar ao seu lado o nome de Esperidião Amin, que lidera as pesquisas para o Senado na Grande Florianópolis, segundo levantamento da Quaest. A troca é vista como um indicativo claro de que a base eleitoral de ambos os candidatos começa a fazer as próprias avaliações sobre quem tem mais chances de se eleger.
Os movimentos têm um caráter simbólico. No início da campanha, tanto Crislan quanto Camilo Martins apresentavam publicamente a dobradinha envolvendo os dois nomes do PL. No entanto, os primeiros resultados das pesquisas parecem ter influenciado as estratégias individuais. Amin, que aparece na frente na corrida pelo Senado, passa a ser uma alternativa viável até para quem transita no mesmo espectro político de Carol e Carlos.
O próprio presidente do PL em Santa Catarina, que tentava manter a unidade em torno da chapa, não comentou diretamente as mudanças. Por outro lado, em uma nota pública divulgada neste sábado, o candidato a deputado federal Jair Renan, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez questão de reforçar que sua chapa para o Senado é composta oficialmente por Carlos Bolsonaro e Carol de Toni. Ele afirmou que sua campanha caminhará ao lado dos dois, numa tentativa de conter os ruídos gerados pelas escolhas recentes de aliados.
Analistas políticos locais apontam que as decisões de Crislan e Camilo podem refletir um cálculo pragmático: enquanto Carol de Toni ainda não decolou nas pesquisas, Amin já aparece como nome consolidado na disputa majoritária. A eleição ainda está em estágio inicial, mas os materiais impressos já começam a mostrar que a dobradinha que parecia definida no papel perde força na prática das campanhas.
Nas redes sociais, os movimentos geraram reações mistas. Apoiadores de Carol de Toni criticaram a postura dos aliados que a deixaram de fora, enquanto defensores de Amin comemoraram o que consideram um reconhecimento natural da liderança nas pesquisas. A expectativa é que, nos próximos dias, novos materiais sejam divulgados e mostrem se a tendência se confirma ou se os partidos tentarão alinhar os discursos.
Fonte: ND+
























