Feminicídio em SC deixa órfãos e expõe falhas na proteção
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VIOLÊNCIAFeminicídio em SC deixa órfãos e expõe falhas na proteção

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Em Santa Catarina, o ano de 2025 registrou 52 feminicídios, e até junho de 2026 já eram 28 casos. Esses números, no entanto, não traduzem a dimensão do sofrimento: cada morte rompe vidas e afeta redes inteiras de relações. No país, uma mulher é morta a cada 5 horas e 25 minutos, geralmente por alguém próximo, como companheiro ou namorado.

O caso recente de Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, estudante de Ciências Biológicas, ilustra essa tragédia. Encontrada morta na casa do namorado em Sangão, no Sul catarinense, ela tinha planos de fazer um mochilão e trabalho voluntário na África. Para os amigos, era gentil, curiosa e cheia de sonhos, todos interrompidos de forma súbita.

O namorado, José Gustavo Rabelo, de 21 anos, confessou o assassinato e está preso, segundo a investigação, após uma briga do casal. A mãe de Joviana desconfiou das mensagens no celular da filha e acionou a polícia, mas a jovem já estava morta. Ela foi vista pela última vez na quinta-feira, 6 de agosto, e assassinada 24 horas depois.

O feminicídio não termina com a morte da mulher; ele deixa órfãos e familiares dilacerados. Crianças e adolescentes sofrem ainda mais quando perdem a mãe para alguém do convívio diário e, muitas vezes, presenciam a violência ou enfrentam a prisão do pai ou padrasto. Em Imbituba, no dia 3 de agosto, Viviany Souza, de 47 anos, foi morta a facadas pelo companheiro, de 63, na frente do filho dela, de 11, que precisou de atendimento do Conselho Tutelar.

Outro caso marcante foi o da professora Patrícia Vicente, de 43 anos, encontrada morta no porta-malas do próprio carro em 2020, em São José, na Grande Florianópolis, tratado como feminicídio. Histórias distintas convergem no mesmo ponto: após o crime, a família precisa reconstruir a vida lidando com a ausência, o trauma e novas responsabilidades.

A violência raramente é um ato isolado; ela costuma ser o extremo de um ciclo de abusos psicológicos, físicos e patrimoniais. A Lei Maria da Penha, de 2006, é essencial nesse momento, oferecendo medidas protetivas e mecanismos de enfrentamento. A prevenção depende de denúncia, acolhimento e integração da rede de proteção, além de reconhecer que agressões e ameaças não são questões privadas.

O Ministério Público de Santa Catarina e a Polícia Científica começaram a mapear crianças e adolescentes órfãos de feminicídio, já que o Estado não tem dados consolidados sobre esse grupo. A falta de informações revela uma lacuna nas políticas públicas, que precisam dimensionar as necessidades dessas vítimas indiretas, que enfrentam mudanças, dificuldades financeiras, traumas e longos processos judiciais.

Fonte: Assembleia SC

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