O advogado Nelson Wilians, conhecido por sua rotina de luxo, tornou-se alvo de uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) na manhã desta quarta-feira (15/7). Ele é investigado por envolvimento em um esquema de fraudes relacionadas ao ICMS no estado de São Paulo, além de já ser alvo de apurações na chamada Fraude do INSS, revelada pelo Metrópoles.
Segundo as investigações, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas paulistas créditos tributários com desconto, apresentando-os como supostos planejamentos tributários, como se os créditos tivessem sido regularmente autorizados pelo Fisco. Após o acordo, o contribuinte deixava de recolher integralmente o ICMS e repassava aos intermediadores honorários de êxito que podiam chegar a 70% do valor dos créditos utilizados — ou seja, recursos que deveriam ser destinados aos cofres públicos eram desviados para os estelionatários.
O Cira, responsável pela operação, é composto pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SP).
Nelson Wilians é proprietário de um grande escritório de advocacia e costuma exibir nas redes sociais uma rotina de luxo, com mansão, avião, carros de luxo e viagens. Apesar de ser advogado de Camisotti, de empresas e de uma associação ligada ao empresário, foi Wilians quem efetuou os repasses ao cliente, tanto como pessoa física quanto por meio de sua banca de advocacia.
Em setembro do ano passado, a casa e o escritório do advogado foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Cambota, segunda fase da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias. Na ocasião, um ex-sócio dele, Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, também foi alvo da PF. Foram encontradas nos endereços esculturas e obras de arte.
As movimentações financeiras suspeitas de Nelson Wilians chegaram a ser reportadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A maior movimentação considerada suspeita pelo órgão ocorreu entre setembro de 2021 e abril de 2022, totalizando R$ 1 bilhão, sendo R$ 529,8 milhões em créditos e R$ 522,8 em débitos. Em outro período, entre outubro de 2019 e junho de 2020, foram R$ 581,7 milhões, conforme relatórios do Coaf enviados à Polícia Federal.
Entre outubro de 2023 e julho de 2024, período que compreende o auge da farra dos descontos do INSS, a banca de Nelson Wilians movimentou R$ 883 milhões. O Metrópoles entrou em contato com a assessoria de Nelson Wilians e aguarda retorno. A reportagem está aberta para atualizações.
Fonte: Metrópoles

























