A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação nesta quinta-feira com a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, afirmando que a medida intensifica os desafios já enfrentados pelos exportadores. Em comunicado, a entidade destacou que a sobretaxa agrava um quadro de pressão sobre as vendas ao mercado americano e amplia a incerteza para empresas de ambas as nações.
Segundo a CNI, os impactos das tarifas adotadas pelos EUA desde 2025 já são visíveis no intercâmbio comercial. Dados da confederação mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% no período, uma perda de US$ 2,6 bilhões. A retração foi liderada pela diminuição das vendas de bens industriais, como produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que os reflexos do aumento tarifário estão se espalhando pela indústria nacional, com 20 dos 27 estados registrando redução nas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. “Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, disse.
Entre os principais estados exportadores, Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%) e Paraná (-32,9%) apresentaram quedas significativas, conforme os números da CNI. Apesar da redução, os Estados Unidos continuaram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a condução do governo brasileiro nas negociações com os EUA após a nova sobretaxa. Em nota, a entidade classificou a medida como um golpe severo à competitividade nacional e avaliou que a retaliação comercial poderia ter sido evitada. A Fiesp ressaltou que a decisão americana atinge exclusivamente o Brasil, colocando os exportadores em desvantagem frente a concorrentes internacionais.
A federação atribuiu parte do agravamento do cenário a uma estratégia diplomática que considerou marcada por “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington”. Para a Fiesp, esse posicionamento enfraqueceu uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos. A entidade defendeu que uma abordagem mais técnica e pragmática poderia ter impedido o acirramento das tensões.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. “Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, declarou.
A Fiesp informou que continuará atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para buscar a reversão ou a mitigação das tarifas, com a ampliação da lista de produtos isentos. A nota na íntegra foi disponibilizada pela entidade.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também externou preocupação com a decisão americana. Em comunicado, a entidade avaliou que a tarifa adicional de 25% eleva os custos de acesso ao mercado dos EUA e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros. Segundo a FIEMG, o impacto real dependerá da lista de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada item e do tratamento dado a concorrentes de outros países.
A federação alertou para possíveis consequências como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais. “A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirmou Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG.
A FIEMG defendeu o reforço das negociações entre Brasil e Estados Unidos e pediu regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e para a implementação das novas tarifas, de forma a evitar uma perda prolongada de competitividade da indústria nacional. A nota na íntegra foi divulgada pela federação.
A Amcham Brasil classificou como “muito negativo” o resultado da investigação que resultou na imposição da tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Segundo a entidade, a medida coloca o Brasil “entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano” e deve afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.
A Amcham também afirmou que as sobretaxas tendem a aumentar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos EUA que utiliza insumos brasileiros e aprofundar a queda do comércio bilateral. “Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Neto destacou que esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%. A Amcham considerou positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas, por reduzir parte dos impactos, mas defendeu a criação de um mecanismo para avaliar novas isenções para itens cujas sobretaxas possam gerar efeitos econômicos desproporcionais ou não contribuam para solucionar as preocupações comerciais apontadas pelos EUA.
Fonte: G1


























