Um estudo divulgado na Câmara dos Deputados revelou que a maioria dos brasileiros enxerga a corrupção na saúde como um problema grave. De acordo com a pesquisa, 66,8% dos participantes classificam a corrupção no setor como alta.
O levantamento, intitulado Indicadores da Percepção da Corrupção no Setor da Saúde, foi realizado pela FGVethics em parceria com a FGV Saúde e o Instituto Ética Saúde (IES). Ao todo, 987 pessoas de diferentes áreas da cadeia da saúde foram entrevistadas.
Entre os entrevistados estavam profissionais de hospitais públicos e privados, representantes da indústria farmacêutica, distribuidores, operadoras de saúde, organizações sociais, órgãos reguladores, médicos, enfermeiros, auditores e usuários do sistema de saúde.
A professora Ligia Maura Costa, coordenadora da FGVethics, fez a apresentação técnica dos resultados. Ela destacou que a pesquisa combina dados de percepção com relatos de experiências reais sobre situações de corrupção.
Os números indicam que 66,8% dos participantes avaliam a corrupção na saúde como alta, enquanto 21,5% a consideram moderada. Na prática, aproximadamente 90% dos entrevistados reconhecem a corrupção como um problema relevante no setor.
Segundo Ligia Maura, os resultados mostram falhas institucionais, mas também apontam possibilidades para melhorar a governança, a transparência e os mecanismos de integridade. Ela defendeu a necessidade de fortalecer a prestação de contas no setor.
As principais situações de corrupção relatadas incluem favorecimento em contratações, conflitos de interesse, influência indevida na prescrição de medicamentos, realização de exames e procedimentos desnecessários, além do medo de denunciar irregularidades.
A pesquisa também apontou que 63,6% dos entrevistados afirmaram já ter vivenciado, testemunhado ou tomado conhecimento de casos concretos de corrupção na saúde. Esse dado reforça a percepção generalizada sobre o problema.
O evento de apresentação ocorreu no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, promovido pela Frente Parlamentar Mista da Saúde. Participaram parlamentares, representantes de órgãos públicos, entidades do setor, pesquisadores e lideranças da sociedade civil.
Na abertura, o deputado federal Dr. Zacarias Calil, presidente da Frente Parlamentar, enfatizou que a corrupção na saúde vai além das perdas financeiras. Ele afirmou que ela impacta diretamente o atendimento à população, gerando filas maiores, tratamentos atrasados e falta de medicamentos.
Os organizadores do debate destacaram que os resultados da pesquisa mostram uma preocupação que vai além do meio acadêmico. Eles defendem a necessidade de fortalecer os mecanismos de transparência, governança e controle em toda a cadeia da saúde.
Fonte: Metrópoles























