A Polícia Federal está monitorando e investigando uma estrutura de suporte logístico da Máfia dos Balcãs nos estados da Bahia e de São Paulo, voltada ao envio de cocaína para o continente europeu por vias marítimas.
Uma ação deflagrada na quinta-feira (11) pela superintendência da PF na Bahia representa mais um avanço em uma apuração que já dura aproximadamente três anos, focada nas atividades de uma das maiores organizações de tráfico internacional de drogas do planeta em território brasileiro.
Desde 2023, os agentes federais realizam um amplo trabalho de vigilância contra os integrantes e os parceiros criminosos do chamado Clã na Bahia. Esse monitoramento permitiu, ainda naquele ano, a interceptação de um veleiro carregado com 2,7 toneladas de cocaína nas proximidades de Cabo Verde, na costa oeste da África.
A apreensão revelou detalhes da complexa rota atlântica empregada pelo narcotráfico global. Antes mesmo da operação, a PF já havia acompanhado a chegada de líderes da organização criminosa no Aeroporto Internacional de Salvador, além de encontros entre os suspeitos em um restaurante conhecido da região.
Nesta quinta-feira, os alvos prioritários da operação batizada de “Balcãs” foram os indivíduos responsáveis pelo apoio logístico da máfia no Brasil. Eles auxiliavam na obtenção de embarcações e na ocultação da droga destinada ao transporte marítimo, com saídas dos portos de Salvador e de Santos.
Conforme as investigações, os suspeitos são personas já conhecidas das autoridades e haviam sido alvo de outra ação policial em 2025. A maioria deles possui registros criminais anteriores relacionados ao tráfico de entorpecentes.
O objetivo da operação foi coletar informações para expandir a apuração e, assim, atingir as lideranças europeias do esquema. A PF está verificando se os Balcãs contam com o suporte de facções criminosas já consolidadas no Brasil no mercado de drogas internacional. Até o momento, no entanto, não foi confirmada uma cooperação direta entre qualquer facção brasileira e a máfia do Leste Europeu.
De acordo com a PF, o Brasil funciona como um “hub de exportação” de entorpecentes para a Europa, consolidando-se como um dos principais pontos estratégicos do crime organizado para o envio aos países do continente.
O transporte de drogas é feito majoritariamente por portos, e as rotas marítimas são as preferidas devido à alta capacidade de carga e ao menor risco de detecção em comparação com o modal aéreo. O Porto de Santos, por exemplo, é um dos pontos críticos.
Investigações indicam que intermediários no Brasil organizam as remessas, adquiridas em países como Bolívia, Paraguai, Peru e Colômbia, para o exterior. Apreensões recentes realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal apontam para um aumento significativo no fluxo de drogas pelo litoral brasileiro.
Cidades da Baixada Santista, em São Paulo, estão entre as mais utilizadas por organizações criminosas para o embarque de substâncias ilícitas, que são camufladas dentro de contêineres.
Na Operação “Balcãs”, agentes da PF na Bahia cumpriram 12 mandados de busca e apreensão. O alvo principal, a Máfia dos Balcãs, é investigada por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. O grupo emprega barcos pequenos, veleiros, “narcolanchas” e “narcossubmarinos” para enviar a droga do Brasil ao exterior.
As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de São Paulo, Santos e Guarujá, expedidas pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, veículos, imóveis e outros ativos dos investigados, até o limite de R$ 20 milhões.
A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente 2,7 toneladas de cocaína encontradas a bordo de um veleiro interceptado em águas internacionais nas proximidades de Cabo Verde, na costa africana.
O Clã ou Máfia dos Balcãs, um dos maiores grupos de tráfico de cocaína para a Europa, há anos impulsiona o comércio ilegal por meio de países da África Ocidental, como Senegal, Serra Leoa, Gâmbia, Guiné-Bissau e Cabo Verde, segundo um relatório de 2025 da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional.
O órgão afirma que a organização criminosa se aproveita de alianças com grupos holandeses e, notavelmente, com o PCC (Primeiro Comando da Capital), para aprofundar suas atividades em toda a cadeia do tráfico.
Na semana passada, a CNN Brasil revelou que a PF identificou uma mudança na rota do tráfico internacional das facções após uma queda nas apreensões nos portos brasileiros. As apreensões de cocaína no Porto de Santos e nos demais despencaram nos últimos seis anos, e os investigadores apontam que os grupos migraram para outras estratégias, utilizando barcos pesqueiros.
Fonte: CNN Brasil




















