O mercado brasileiro de arroz registrou forte valorização nas cotações ao longo de julho, enquanto produtores, indústrias e compradores monitoram os desdobramentos da nova rodada de Aquisições do Governo Federal (AGF). Apesar do ritmo comercial ainda moderado, o cenário sinaliza uma mudança de comportamento, com oferta mais enxuta e expectativa quanto ao próximo ciclo produtivo.
O consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, aponta que o ambiente está mais seletivo, à medida que os estoques excedentes diminuem e os preços ensaiam uma trajetória de recuperação. Segundo ele, o desequilíbrio entre oferta e demanda, que pressionou o mercado nos últimos meses, começa a se dissipar.
— O mercado passa por um processo gradual de ajuste entre oferta e demanda, mas ainda existem fatores que podem influenciar o comportamento das cotações nas próximas semanas — avalia Oliveira.
Um dos principais fatores de atenção é o anúncio do governo federal de comprar 310 mil toneladas de arroz por meio da AGF, medida que injeta incerteza justamente quando os preços mostravam recuperação consistente. A ação integra a Política de Garantia de Preços Mínimos e busca recompor os estoques públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além de mitigar riscos de abastecimento diante de oscilações climáticas.
Embora a medida seja vista como suporte ao mercado, agentes da cadeia produtiva ainda demonstram cautela por falta de informações operacionais essenciais para avaliar seus efeitos. Entre os pontos que geram dúvidas estão as variedades de arroz que serão contempladas, os padrões de qualidade exigidos, o cronograma das aquisições, a velocidade de execução, os critérios de habilitação e a definição do preço mínimo de referência.
Há incerteza também sobre qual preço mínimo será utilizado: o vigente da temporada atual, de R$ 63,74 por saca de 50 quilos, ou o atualizado para a próxima safra, de R$ 68,07. Oliveira ressalta que essa indefinição pode levar os produtores a reterem estoques, reduzindo ainda mais a disponibilidade imediata do cereal.
Outro ponto estratégico é a manutenção de um ritmo consistente das exportações brasileiras de arroz. Para o setor, o avanço dos embarques será fundamental para acelerar o escoamento dos estoques acumulados e consolidar a recuperação dos preços.
— O desempenho exportador seguirá como um dos principais indicadores para definir o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses — destaca Oliveira.
Os números já refletem essa recuperação. O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, considerando o produto com 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista, fechou o dia 30 de julho a R$ 70,19 por saca de 50 quilos. O valor representa alta de 4,17% na comparação semanal, avanço de 17,37% frente ao mês anterior e valorização de 1,43% em relação ao mesmo período de 2025.
Com a proximidade da nova safra e a expectativa sobre a execução das compras governamentais, o mercado de arroz entra em uma fase de maior acompanhamento. A definição dos detalhes da AGF, o comportamento das exportações e a disponibilidade física do produto serão determinantes para indicar se a recuperação terá continuidade ou se haverá novos ajustes no mercado interno.
Fonte: Portal do Agronegócio


























