DIPLOMACIA POLITIZADARubio critica Lula por falta de negociação e diz que tarifas são consequência

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstrou disposição para negociar de forma construtiva com o governo americano, o que teria levado à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em postagens em redes sociais, Rubio classificou as políticas econômicas do atual governo brasileiro como prejudiciais tanto para os cidadãos dos EUA quanto para a população do Brasil.

Segundo Rubio, a decisão de aplicar a sobretaxa não deve ser motivo de dúvidas. Ele alegou que Lula e sua equipe se recusaram a conduzir conversas comerciais de maneira transparente e honesta com Washington. O secretário ainda declarou que o chefe de Estado brasileiro teria colocado interesses pessoais acima de um pacto que beneficiaria a economia do país sul-americano.

As tarifas, nas palavras do secretário, seriam o custo dessa postura. As declarações de Rubio reforçam a percepção, já sustentada por membros do Palácio do Planalto, de que a medida comercial carrega um viés político. Entretanto, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que conduziu a investigação que resultou na taxação, rejeitou essa interpretação.

Em coletiva de imprensa após o anúncio oficial, um representante do USTR negou que a sobretaxa tenha sido influenciada por divergências políticas com o governo Lula. Ele afirmou rejeitar completamente essa alegação e destacou que a questão não envolve aprovação ou desaprovação das decisões políticas de outro país.

De acordo com a autoridade americana, os canais de diálogo com o Brasil permaneceram abertos durante todo o processo e as conversas ocorreram em um ambiente de cordialidade. Ele ressaltou que os contatos eram mantidos exclusivamente com interlocutores brasileiros, sem discussões paralelas com outros segmentos da sociedade do país.

O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que manteve interlocução com a administração de Donald Trump e realizou múltiplas tentativas de agendar reuniões para tentar evitar a imposição das tarifas. Em maio de 2026, Lala e Trump se encontraram na Casa Branca para tratar da pauta comercial bilateral.

Poucos dias depois desse encontro, o Representante Comercial dos Estados Unidos conduziu uma reunião virtual com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa. Já em julho, durante as audiências do USTR sobre a possível aplicação de tarifas ao Brasil, representantes do governo brasileiro participaram das sessões.

O USTR divulgou uma extensa lista de justificativas para a medida, citando práticas que, segundo o órgão, prejudicam empresas americanas e favorecem produtores brasileiros. Entre os pontos mencionados estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais contra plataformas digitais dos EUA, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, barreiras ao acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX.

Na área ambiental, o órgão americano afirmou que a extração ilegal de madeira na Amazônia contribui para a redução dos preços internacionais do produto, afetando a competitividade da indústria madeireira dos Estados Unidos. O USTR também alegou que alguns níveis de governo no Brasil têm diminuído os incentivos ao combate ao desmatamento.

Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdo de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e aplicação de multas em caso de descumprimento de ordens judiciais. O governo dos EUA também aponta que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas menores do que as aplicadas a exportadores americanos.

Outro ponto de atrito é a proteção da propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil está na chamada “Watch List” do relatório Special 301 desde 2007, documento que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais.

O representante do USTR também sinalizou que Washington continua disposto a negociar, mas advertiu que eventuais medidas de retaliação por parte do Brasil poderiam levar a novas respostas dos Estados Unidos. Ele afirmou que, se houver retaliação, o governo americano poderá modificar sua ação para contrapor a medida brasileira. Apesar do alerta, ele disse não esperar uma resposta comercial do governo brasileiro e previu que, se o Brasil optar por retaliar, provavelmente haverá novas medidas dos EUA.

Questionado sobre o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral com o Brasil, o representante do USTR disse que esse aspecto não foi central para a investigação. Ele afirmou que o foco esteve em temas considerados problemáticos pelos americanos, como propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e regras aplicadas a serviços digitais.

Segundo ele, se essas outras questões fossem resolvidas, o superávit americano com o Brasil provavelmente seria ainda maior. A autoridade americana também detalhou as mudanças que Washington espera ver do lado brasileiro. Um dos temas destacados foi o acesso de produtores americanos ao mercado de etanol, defendendo tratamento equivalente ao concedido pelo Brasil a outros parceiros comerciais.

O representante afirmou que o Brasil tem acordos tarifários preferenciais com a Índia e o México e que os EUA gostariam de ter o mesmo tipo de acesso. O argumento também foi reforçado pelo USTR nas redes sociais, que afirmou que o Brasil deixou de oferecer um tratamento tarifário equilibrado ao etanol americano e não retribui as condições preferenciais concedidas pelos EUA ao combustível brasileiro.

De acordo com o governo americano, as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil caíram de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 96 milhões em 2025. Sobre o PIX, um dos pontos mais sensíveis da disputa, o governo americano negou que esteja pedindo o fim do sistema de pagamentos brasileiro. A posição oficial é que empresas americanas do setor financeiro não sejam prejudicadas ou submetidas a condições consideradas desiguais.

A autoridade disse que o objetivo é que o PIX concorra com as empresas americanas em pé de igualdade comercial. Nas publicações divulgadas após o anúncio da tarifa, o USTR afirmou que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do PIX e que regras como a gratuidade para pessoas físicas e a limitação de tarifas cobradas das empresas favoreceriam o sistema brasileiro em relação a competidores privados americanos.

Fonte: G1

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