A Federação União Progressista, composta pelo PP e União Brasil, optou por não se alinhar a nenhum candidato na corrida presidencial de 2026, frustrando as expectativas de Flávio Bolsonaro (PL), que almejava o apoio do bloco. A decisão foi tomada em reunião na noite anterior, liderada por Ciro Nogueira e outros dirigentes, e deve ser oficializada nos próximos dias.
Durante o encontro, os integrantes concluíram que a maioria da federação prefere a neutralidade para não prejudicar as escolhas regionais. Segundo apuração de Caio Junqueira, Ciro Nogueira já estimava que 90% dos diretórios do PP eram contrários ao apoio declarado.
O diretório paulista do PP, o maior colégio eleitoral do país, havia se manifestado a favor de Flávio Bolsonaro na tentativa de reverter o cenário nacional, mas o movimento não foi suficiente para mudar a posição majoritária.
Diante desse revés, Flávio Bolsonaro intensificou as conversas com outras legendas. De acordo com o analista político Pedro Venceslau, da CNN, as principais alternativas em negociação são o Republicanos e o Podemos — este último já foi o partido do próprio Flávio.
O Republicanos sinalizou que deve adotar a neutralidade, mas ainda mantém diálogo aberto com o pré-candidato. Já o Podemos também indica seguir caminho semelhante, sem descartar um eventual apoio.
Pedro Venceslau destacou que há insatisfação no Centrão com a falta de articulação prévia de Flávio Bolsonaro e seus aliados. “Agora, na reta final das convenções, eles correm atrás, mas talvez já seja tarde”, avaliou o analista.
A relação entre Flávio e Ciro Nogueira teria se desgastado após uma operação da Polícia Federal contra o senador, ocasião em que Flávio e o PL não saíram publicamente em sua defesa.
A decisão da Federação União Progressista também impacta as articulações estaduais. Muitos estados que negociavam alianças com o PL local podem se distanciar dos candidatos ligados a Flávio, já que o apoio nacional era um argumento forte nas negociações regionais.
Além disso, sem os partidos da federação, Flávio teria menos tempo de televisão do que Luiz Inácio Lula da Silva, que conta com o apoio de PT, PCdoB, PV, PSOL, PSB, PDT e outras siglas, o que lhe confere ampla vantagem no palanque eletrônico.
Fonte: ContilNet Notícias

























