A Comissão de Assusntos Econômicos do Senado Federal deliberou, em reunião hoje, pela convocação formal do dirigente máximo do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza. O objetivo é que o executivo preste informações detalhadas acerca das transações financeiras realizadas com o Banco Master e os desdobramentos desses negócios na solidez econômica da instituição estatal.
Durante a mesma sessão, o senador Renan Calheiros, que preside o colegiado, revelou que o gestor do BRB havia previamente sinalizado sua intenção de comparecer perante a comissão. Contudo, essa participação estaria condicionada à publicação dos demonstrativos financeiros do banco, que aguardam divulgação.
Ocorre que a documentação contábil referente ao exercício de 2025, que deveria ter sido disponibilizada ao mercado até o final de março, ainda não foi tornada pública pela entidade bancária. Calheiros expressou sua preocupação com a situação, argumentando que, sob essa lógica de atraso, a presença do presidente na comissão se tornaria indefinida.
A solicitação para a audiência com o executivo foi originada em abril pela senadora Damares Alves. A data definida para o comparecimento de Nelson de Souza na CAE foi agendada para o dia 2 de junho, numa próxima terça-feira.
Nelson de Souza assumiu a liderança do BRB em novembro de 2025, sucedendo Paulo Henrique Costa. A alteração na presidência ocorreu após a remoção de Costa do cargo por determinação judicial, culminando em sua detenção pela Polícia Federal em abril.
Paralelamente, em uma petição apresentada ao Supremo Tribunal Federal nesta mesma terça-feira, o governo do Distrito Federal alertou para um potencial “abalamento do sistema financeiro”. O GDF busca garantir acesso a uma linha de crédito emergencial para recompor o equilíbrio patrimonial do BRB, afetado pelas operações com o Banco Master.
No documento, a administração distrital, sob a gestão de Celina Leão, contestou a metodologia empregada pelo Tesouro Nacional para negar o aval da União ao empréstimo, sustentando que indicadores fiscais recentes demonstram uma melhoria da conjuntura. O texto enfatiza que a inviabilidade de um aporte prudencial imediato pode desencadear uma deterioração da percepção de solvência do banco, com reflexos negativos sobre sua capacidade operacional, liquidez e participação no mercado, criando um risco palpável de desestabilização para o setor financeiro nacional.
No final de março, o próprio BRB emitiu um comunicado ao mercado, informando que a postergação da divulgação de suas demonstrações financeiras decorria da necessidade de finalização de investigações em curso por parte das autoridades competentes e de uma análise aprofundada, tanto pela diretoria quanto pelo auditor independente, sobre os possíveis impactos de tais apurações.
Fonte: O GLOBO























