O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior (sem partido), foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes de violência doméstica contra a ex-companheira. A sentença, proferida na quinta-feira (21), também determina a perda do mandato eletivo. O político está internado em estado estável após se envolver em um acidente de trânsito enquanto tentava fugir do cumprimento da ordem judicial, na noite do mesmo dia.
O advogado de defesa de Jair Júnior, Guilherme Ramos, afirmou que irá recorrer da decisão sobre a perda do mandato. A assessoria de comunicação da prefeitura de Lages foi procurada, mas não retornou até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Com a perda do mandato eletivo, o cargo de vice-prefeito fica vago, conforme explica o advogado Paulo Fretta Moreira, especialista em Direito Eleitoral. Não há substituição automática para a função.
Em casos de ausência ou afastamento da prefeita Carmen Zanotto (Republicanos), a linha sucessória passa a ser ocupada pelo presidente da Câmara de Vereadores de Lages, vereador Maurício Batalha Machado (Podemos).
Jair Júnior tinha 31 anos e foi eleito em 2024 na chapa de Carmen Zanotto. Natural de Lages, ele estava em seu primeiro mandato como vice-prefeito.
A sentença foi proferida na quinta-feira (21). No mesmo dia, para cumprir o mandado de prisão, a Justiça solicitou apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), devido ao cargo político ocupado pelo réu e às especificidades da operação.
Durante o cumprimento da ordem judicial, Jair Júnior tentou fugir de carro e colidiu a BMW que dirigia contra um caminhão na BR-116. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Segundo a defesa, ele está estável, lúcido e orientado, com previsão de alta em 10 dias.
A condenação atende a uma ação penal ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), após investigação sobre episódios de violência doméstica contra a ex-companheira do político. Jair Júnior foi condenado pelos crimes de lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição.
A denúncia foi apresentada pelo MPSC em abril de 2025, e o processo tramita sob sigilo judicial. Ele já havia sido preso em 22 de março de 2025, mas foi solto no mesmo dia após audiência de custódia e fixação de fiança.
A vítima relatou à polícia que o relacionamento durou cerca de um ano e terminou dois meses antes. Após a separação, o vice-prefeito não teria aceitado o fim e passou a procurá-la insistentemente.
Segundo a denúncia, o primeiro episódio de violência física ocorreu em janeiro de 2025, quando ele teria apertado os braços e o rosto da mulher após ela se recusar a publicar uma foto do casal nas redes sociais.
O caso mais grave ocorreu em março, na véspera da prisão em flagrante. Conforme a denúncia, Jair Júnior convenceu a ex-companheira a entrar no carro sob o pretexto de conversar sobre reconciliação, mas a levou à força até sua casa. No local, trancou portas e janelas para impedir pedidos de socorro e tentou acessar o celular da vítima em busca de mensagens comprometedoras. Diante da negativa, ele deu tapas no rosto da mulher e pressionou um travesseiro contra a cabeça dela.
A vítima só foi liberada após prometer que não registraria ocorrência. Incentivada pela irmã, ela procurou a polícia. O Ministério Público também apontou episódios de perseguição, com mensagens insistentes, monitoramento da rotina e presença frequente em locais onde a vítima estava.
Fonte: NSC Total





















