Na estreia da Copa do Mundo, a seleção de Cabo Verde conseguiu um empate em 0 a 0 contra a Espanha, um dos favoritos ao título. O grande responsável pelo resultado foi o goleiro Vozinha, de 40 anos, que fez uma atuação memorável e se tornou o herói da equipe africana.
O arqueiro, que antes era pouco conhecido no cenário internacional, enfrentou uma chuva de ataques espanhóis. A atual campeã da Eurocopa finalizou 27 vezes, sendo sete delas em direção ao gol, todas defendidas por Vozinha. Ele mostrou agilidade, reflexos e segurança, seja se esticando para evitar chutes laterais, saltando para interceptar finalizações altas ou segurando a bola sem dar rebote.
A Espanha dominou a posse de bola durante toda a partida, chegando a 70%, o que exigiu concentração máxima do goleiro cabo-verdiano. Com essa atuação, Vozinha garantiu que sua equipe saísse com um ponto importante na competição.
Nascido Josimar José Évora Dias, ele recebeu o nome em homenagem a um ídolo do Botafogo: o lateral-direito Josimar, que defendeu a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1986. Em entrevista à ESPN, o goleiro revelou que seu pai era fã do jogador brasileiro.
O apelido Vozinha surgiu na infância, quando jogava com garotos mais velhos na vizinhança. Ele contou que não gostava de levar pancadas e, quando ficava emburrado, as crianças zombavam dele, dizendo que iria reclamar com seus avós. A brincadeira pegou e ele adotou o apelido profissionalmente.
Atualmente, Vozinha defende o Chaves, de Portugal, onde atua desde 2024 e já soma 51 jogos. Antes disso, teve passagens marcantes pelo AEL Limassol, do Chipre, onde disputou 140 partidas e conquistou a copa nacional na temporada 2018-19. Também jogou pelo Trencin (Eslováquia), Gil Vicente (Portugal), Zimbru (Moldávia), Mindelense (Cabo Verde), Progresso Sambizanga (Angola) e Batuque (Cabo Verde), clube onde foi revelado em 2008.
Após o jogo, Vozinha se emocionou e revelou os motivos de suas lágrimas. Ele contou que sua mãe não pôde viajar para os Estados Unidos para acompanhá-lo no Mundial por causa de problemas financeiros para obter o visto. “Eu chorei porque cresci com meus avós, que faleceram há alguns anos, e eles não puderam estar aqui. Minha mãe também não conseguiu vir por causa do visto e do dinheiro. Não conseguimos resolver a tempo”, disse o goleiro na zona mista do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: O Sul























