A Netflix iniciou uma pesquisa inédita no Brasil para mapear o comportamento visual de seus assinantes durante a exibição de conteúdo. A iniciativa visa entender como o público reage aos intervalos comerciais no plano com anúncios, utilizando tecnologia de rastreamento ocular e análise de postura corporal.
O estudo conta com a participação de 250 assinantes brasileiros, que tiveram suas TVs equipadas com câmeras e um software de inteligência artificial desenvolvido pela Amplified Intelligence. O sistema é capaz de identificar para onde o olhar do espectador está direcionado e classificar seu nível de atenção como ativo, passivo ou nulo.
Diferente de concorrentes que interrompem abruptamente a programação para veicular propagandas, a Netflix aposta em uma seleção editorial criteriosa para inserir anúncios em momentos menos intrusivos. A empresa busca minimizar o impacto negativo na experiência do usuário e reduzir a probabilidade de abandono ou ignorância dos comerciais.
Os testes já foram realizados na Austrália e no México, onde os resultados indicaram uma retenção de atenção de até 65% durante os anúncios. Esse número supera a média do mercado, que varia entre 33% e 50%, demonstrando o potencial da abordagem personalizada da empresa.
A Netflix reforça que as gravações são analisadas de forma anônima e não são enviadas para servidores externos. A pesquisa está focada exclusivamente no consumo via aparelhos de TV, excluindo tablets e smartphones neste momento. Os dados coletados serão utilizados para ajustar a estratégia editorial e a distribuição de anúncios no plano com publicidade.
O comportamento multitarefa, conhecido como second screen, representa um dos maiores desafios para o mercado publicitário atual. Muitos espectadores utilizam o celular enquanto assistem à TV, o que reduz a eficácia dos anúncios tradicionais. A Netflix busca contornar esse problema identificando padrões que levam o usuário a desviar o olhar da tela.
A iniciativa da Netflix reflete uma transformação mais ampla no setor de streaming. Tradicionalmente, a publicidade era avaliada com base em métricas de alcance, ou seja, quantas pessoas foram expostas ao anúncio. No entanto, com a fragmentação da atenção do público, as marcas passaram a exigir indicadores de efetividade real, como o engajamento visual.
Ao adotar tecnologias de rastreamento ocular e análise de postura, a Netflix está criando uma nova métrica chamada de “Atenção Qualificada”. Isso significa que a empresa não vende apenas espaço publicitário, mas sim tempo de atenção comprovada. Para os anunciantes, isso torna a plataforma mais valiosa, pois garante que a marca será vista por um espectador realmente engajado.
Se o modelo se mostrar bem-sucedido no Brasil, a Netflix poderá cobrar valores diferenciados por seus espaços publicitários, com base no nível de atenção que cada anúncio consegue gerar. A pesquisa deve continuar até julho, e os resultados serão usados para refinar a experiência do usuário e aumentar a atratividade do plano com anúncios.
A empresa também estuda expandir a tecnologia para outros dispositivos e mercados, dependendo dos resultados obtidos. A medida coloca a Netflix na vanguarda da publicidade digital, ao mesmo tempo em que levanta questões sobre privacidade e ética no uso de dados biométricos. Até o momento, a plataforma assegura que todas as análises são anônimas e que os dados não saem do ambiente controlado da pesquisa.
Fonte: NSC Total






















