Na última sexta-feira (22), a polícia de Paris prendeu um cidadão brasileiro que trabalhava como professor de música em escolas de educação infantil. Ele é suspeito de cometer estupro, agressão e exposição sexual contra crianças. As autoridades não divulgaram seu nome e, por isso, a defesa ainda não pôde ser consultada.
De acordo com informações do jornal Le Monde, ao menos outras 16 pessoas foram detidas na quarta-feira (20) sob suspeita de envolvimento em atos de violência física e sexual em creches parisienses.
Na mesma data da prisão do brasileiro, outro educador foi detido e, como o brasileiro, permanece em prisão preventiva. Em comunicado veiculado pela Rádio França Internacional (RFI), o Ministério Público de Paris informou que ambos foram formalmente acusados de “atos de natureza sexual”.
As investigações, conforme o Le Monde, tiveram início em janeiro, após a exibição do programa “Cash Investigation”, da emissora pública France 2. A reportagem expôs casos de violência e falhas na supervisão em uma creche, incluindo um jornalista infiltrado que gravou funcionários gritando com crianças e uma monitora beijando um aluno na boca.
Com a repercussão do programa, foram abertas investigações judiciais e administrativas. Desde então, o número de denúncias de estupro, agressão sexual e violência em pré-escolas parisienses aumentou progressivamente.
A RFI informou que o brasileiro, cuja identidade não foi revelada, trabalhou na creche Saint-Dominique, uma das unidades sob investigação.
Segundo a rádio, pais de alunos dessa instituição já haviam feito denúncias contra o professor entre setembro e dezembro do ano passado, após as crianças reclamarem de gritos. Naquela ocasião, não havia acusações de violência sexual. Depois das queixas, ele foi transferido para a pré-escola Volontaires, em outro bairro.
Com a veiculação da reportagem do “Cash Investigation”, os responsáveis pelas crianças reconheceram o professor nas imagens e se reuniram. Eles notaram mudanças no comportamento dos filhos e começaram a suspeitar que algo mais grave havia ocorrido.
“Percebemos que as crianças eram vítimas de violência sexual dentro da pré-escola, incluindo estupros cometidos por vários monitores, entre eles este cidadão brasileiro”, declarou à RFI a mãe de uma menina de 3 anos, que pediu anonimato.
Segundo a mulher, o brasileiro seria o principal responsável pelos estupros, com a ajuda de pelo menos outros dois funcionários da creche. “Talvez, com os depoimentos de outras crianças, os investigadores consigam esclarecer isso e definir o papel de cada um”, afirmou.
Outro pai, também ouvido em condição de anonimato, disse que se deu conta da gravidade do caso após assistir à reportagem do “Cash Investigation”.
“Como gostamos muito de música na família, meu filho ia frequentemente às oficinas no período da tarde. Quando saiu a reportagem na TV, fizemos perguntas ao nosso filho para saber o que ele tinha visto, ouvido ou sofrido de violência. Ele começou a nos dizer que essa pessoa o obrigou a dar beijos nas partes íntimas”, relatou o homem, que tem um filho de 4 anos.
A RFI informou que ele registrou denúncias formais em fevereiro contra o brasileiro e outros três assistentes da instituição.
“Ele atuava com outra monitora. Eles isolavam as crianças em dupla. Ou eles os forçavam [a dar beijos] ou a monitora dava beijos nas nádegas deles enquanto o outro tirava fotos ou fazia vídeos”, acrescentou o pai.
Segundo a associação Pequenos Heróis de Saint-Do, que representa os pais dos alunos, a monitora citada pela criança é a mesma que apareceu nas imagens do “Cash Investigation” beijando um aluno na boca.
Em 17 de maio, a procuradora de Paris, Laure Beccuau, afirmou à rádio RTL que a Procuradoria de Paris havia aberto investigações sobre incidentes envolvendo cerca de 84 creches, 20 escolas primárias e 10 centros de educação infantil.
Segundo o Le Monde, desde o início de abril, 78 funcionários de escolas foram suspensos em Paris, incluindo 31 por suspeita de violência sexual.
Fonte: Jovem Pan
























