O Imortal precisava apenas vencer para garantir vaga direta nas oitavas de final da Copa Sul-Americana, mas ficou só no empate em 2 a 2.
Análise do jogo!
O Grêmio deixou escapar dentro da Arena uma classificação que parecia obrigação. Precisando apenas vencer o Montevideo City Torque para garantir vaga direta nas oitavas de final da Copa Sul-Americana, o Tricolor ficou no empate em 2 a 2 e agora terá de encarar o caminho mais complicado: os playoffs contra um dos terceiros colocados da Libertadores.
O resultado escancarou mais uma vez um problema que vem perseguindo o time de Luís Castro ao longo da temporada: muita posse de bola, pouca intensidade defensiva e dificuldades enormes quando enfrenta equipes organizadas em transição rápida.
Os números do jogo ajudam a explicar isso. O Grêmio terminou a partida com cerca de 68% de posse de bola e finalizou 19 vezes, sendo 8 no alvo. O Torque, mesmo com apenas 32% da posse, criou as chances mais perigosas durante boa parte do confronto.
No primeiro tempo, o cenário foi preocupante. O Grêmio tinha a bola, mas não machucava. Rodava passes no campo ofensivo sem profundidade, enquanto o Torque chegava com muito mais perigo pelos lados do campo. Dados de Expected Goals (xG) mostraram um domínio ofensivo dos uruguaios antes do intervalo: 1.63 contra apenas 0.25 do Tricolor.
E não foi surpresa quando Salomón Rodríguez abriu o placar aos 36 minutos. A torcida vaiou o time na saída para o intervalo e com razão. O Grêmio parecia nervoso, previsível e sem imposição física, mesmo jogando em casa diante de um adversário tecnicamente inferior no papel.

A reação veio no segundo tempo graças às mudanças feitas por Luís Castro. Gabriel Mec entrou ligado no jogo e empatou logo no primeiro minuto da etapa final, dando nova energia ao time. O garoto foi um dos poucos jogadores capazes de quebrar linhas e acelerar o ataque gremista.
Carlos Vinícius também apareceu bem ofensivamente e marcou o segundo gol gremista já na reta final. Mas a defesa voltou a comprometer. Poucos minutos depois, Pizzichillo empatou para o Torque e esfriou completamente a Arena. No desespero final, Carlos Vinícius ainda acabou expulso por reclamação excessiva.
O comportamento do Grêmio durante a partida mostrou um time emocionalmente instável. Quando precisou acelerar, conseguiu criar pressão e volume ofensivo. Mas defensivamente voltou a apresentar desorganização, espaços entre linhas e muita dificuldade na recomposição. O Torque encontrou liberdade principalmente nas costas dos laterais e nos contra-ataques.
Outro ponto que chama atenção é a dependência crescente dos jovens. Gabriel Mec entrou e mudou o jogo praticamente sozinho em determinados momentos. Enquanto isso, jogadores experientes oscilaram bastante. Braithwaite teve atuação apagada, o meio-campo pouco protegeu a defesa e o setor defensivo sofreu toda vez que o adversário aumentava a velocidade.
Agora o cenário muda completamente para o Tricolor. Em vez de descansar e aguardar as oitavas, o Grêmio terá de disputar os playoffs da Sul-Americana contra um terceiro colocado vindo da Libertadores — e isso aumenta consideravelmente o grau de dificuldade do caminho continental.
O mais preocupante talvez nem seja o empate em si, mas a sensação deixada em campo. O Grêmio teve duas partidas contra o Montevideo City Torque nesta fase de grupos e não venceu nenhuma: derrota no Uruguai e empate em Porto Alegre. Para um clube do tamanho do Grêmio, isso naturalmente aumenta a cobrança da torcida.
A classificação ainda está viva. O sonho continental também. Mas o Grêmio claramente precisará evoluir — e rápido — se quiser transformar posse de bola em controle real de jogo e evitar que a temporada fique ainda mais turbulenta.

Bruno Amorim – Cônsul do Grêmio em Sombrio – SC
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