TECNOLOGIAHá 30 anos, bip da urna eletrônica mudou a democracia brasileira

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Um número digitado, a foto na tela, o dedo na tecla verde e o tradicional bip. O gesto dura segundos hoje, mas representa uma revolução iniciada há 30 anos. Em 1996, o Brasil deu início a uma das maiores transformações eleitorais do mundo com a implantação da urna eletrônica, criada para combater fraudes, reduzir erros e acelerar a apuração. Antes disso, Santa Catarina já experimentava os caminhos que moldariam o futuro das eleições no país.

Segundo o diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), Gonsalo André Ribeiro Agostini, a ideia de informatizar o voto no estado remonta a 1957, quando o catarinense João Pedro Gi apresentou uma máquina de votar mecânica ao TRE-SC, considerada pioneira para a época.

Antes da urna eletrônica, as eleições usavam cédulas de papel, urnas de madeira ou lona e apurações que duravam dias. Ginásios viravam centros de contagem manual, com mesários e fiscais trabalhando madrugada adentro. “Você pegava uma urna cheia de cédulas e quatro pessoas precisavam contar tudo manualmente. Era um processo extremamente complexo”, relembra Gonsalo. Erros humanos e fraudes eram comuns, levando a Justiça Eleitoral a investir na informatização.

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Santa Catarina foi palco de testes inéditos. Em 1991, o distrito de Cocal do Sul realizou um plebiscito eletrônico para decidir sua emancipação de Urussanga, sem uso de papel. “Foi a primeira vez que tivemos captação e totalização de votos sem papel. Um instituto internacional afirmou que provavelmente era a primeira experiência na América Latina”, destaca Gonsalo. Entre 1991 e 1995, o TRE catarinense promoveu mais de 300 eventos eletrônicos no país, chamando a atenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 1996, a primeira eleição oficial com urnas eletrônicas ocorreu em 57 cidades, com mais de 32 milhões de eleitores. A regra exigia municípios com mais de 200 mil eleitores, mas houve uma exceção: Brusque (SC), com eleitorado menor, foi incluída como reconhecimento ao protagonismo catarinense. No estado, apenas Florianópolis, Joinville e Brusque usaram a novidade. A escolha também homenageou o desembargador Carlos Prudêncio, um dos grandes incentivadores da informatização eleitoral.

O projeto nacional da urna começou em 1995, quando o TSE reuniu especialistas do Inpe, das Forças Armadas e de centros tecnológicos para desenvolver uma solução própria. O modelo combinou teclado numérico, tela e processador em um equipamento inovador, inspirado em telefones para ampliar a acessibilidade. “Foi uma solução criada para a realidade brasileira. Não foi importada”, afirma Gonsalo.

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Nos primeiros anos, houve desconfiança: eleitores temiam apertar o botão errado ou perder o voto. Mas a adaptação foi rápida. “Independentemente do grau de instrução, todo mundo passou a votar da mesma forma. O número oito que você digita é igual para qualquer pessoa”, diz Gonsalo. A urna reduziu drasticamente os votos anulados por erro de interpretação, eliminando a leitura subjetiva das cédulas. Hoje, é um símbolo da democracia brasileira.

Fonte: Assembleia SC

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