A moeda norte-americana encerrou o pregão desta segunda-feira (1º) com desvalorização de 0,39%, sendo negociada a R$ 5,0226. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, registrou recuo de 0,91%, atingindo 172.211 pontos. O dia foi marcado por forte oscilação nos mercados globais, influenciada pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e pela publicação de dados econômicos relevantes no Brasil e nos Estados Unidos.
Os agentes financeiros acompanharam com atenção o aumento das hostilidades na região, após a paralisação das tratativas entre Irã e Estados Unidos. De acordo com informações da agência iraniana Tasnim, a delegação de Teerã suspendeu as discussões depois que Israel efetuou novos ataques ao Líbano, condicionando um eventual acordo à concretização de um cessar-fogo.
Esse contexto elevou a apreensão nos mercados durante a manhã, especialmente em relação ao abastecimento mundial de petróleo. Contudo, os receios se atenuaram no período da tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que um cessar-fogo estava em vigor no Líbano. Segundo ele, houve contatos com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e representantes do Hezbollah para conter a escalada do conflito.
Com a diminuição da aversão ao risco, o forte avanço das cotações do petróleo perdeu ímpeto. No entanto, os contratos internacionais ainda fecharam em alta. O barril do Brent, referência global, encerrou com ganho de 4,61%, cotado a US$ 95,32. Já o petróleo WTI, referência nos EUA, subiu 5,98%, para US$ 92,58.
No âmbito interno, os investidores também avaliaram os desdobramentos da decisão do governo americano de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em sua lista de organizações terroristas. Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou em entrevista à rádio CBN que pretende reunir-se ainda nesta semana com autoridades dos Estados Unidos para tratar do assunto.
Outro ponto de atenção foi a divulgação do Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que consolida as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. Pela 12ª semana consecutiva, o mercado elevou sua expectativa para a inflação de 2026, que passou de 5,04% para 5,09%.
Analistas destacam que a maior pressão vem da alta dos preços internacionais do petróleo, impulsionada pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio. O encarecimento da commodity pode impactar os preços dos combustíveis e, consequentemente, pressionar a inflação nos próximos meses.
Apesar da revisão para cima da inflação, os economistas mantiveram a previsão de redução gradual dos juros nos próximos anos. As estimativas para o crescimento econômico também apresentaram leve melhora. Segundo o Focus, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,89% para 1,90%. Já a previsão para a cotação do dólar no fim do próximo ano recuou de R$ 5,17 para R$ 5,16.
Além dos dados brasileiros, os investidores monitoraram a divulgação dos índices PMI industrial e ISM manufatureiro dos Estados Unidos, indicadores que auxiliam na medição da atividade industrial e fornecem pistas sobre a trajetória da maior economia do mundo nos próximos meses.
Fonte: O Sul






















