COMPETITIVIDADEBrasil cai para 65ª posição em ranking global; falta de mão de obra qualificada é entrave

publicidade

O Brasil perdeu sete posições no ranking mundial de competitividade, ocupando agora o 65º lugar entre 70 nações avaliadas. O resultado acende um alerta sobre a capacidade do país de atrair investimentos, gerar negócios e criar empregos.

Em entrevista, Carlos Honorato, professor da FIA Business School, avaliou que os gargalos que comprometem a competitividade brasileira estão espalhados por diversas áreas. “Os gargalos estão em todas as partes. É difícil não identificar um gargalo”, afirmou.

Honorato destacou a formação deficiente das pessoas como um problema central. Para ele, a dificuldade começa na base, com ensino frágil em matemática, português e linguagem, e se estende à formação profissional. “A gente tem uma dificuldade básica na produtividade, que é a formação completa, desde o básico até o profissional”, explicou.

Além da educação, o excesso de burocracia e os entraves legislativos pesam contra o ambiente de negócios. O professor classificou o Brasil como um país muito burocrático, com leis que criam um cenário complexo para as empresas.

No contexto de transformação tecnológica e inteligência artificial, Honorato ressaltou que a capacidade de articular conhecimento para usar novas ferramentas é essencial para a produtividade. A falta dessa habilidade agrava o atraso competitivo.

Para ele, a principal razão da queda no ranking não é uma piora absoluta, mas o avanço de outras nações. “Os outros estão nos ultrapassando, e nós ficamos para trás”, avaliou. A alta informalidade no mercado de trabalho também foi citada como obstáculo para incorporar mão de obra qualificada.

Problemas de logística e a elevada carga tributária foram apontados como barreiras adicionais que limitam o desempenho produtivo do país em vários setores.

Ao analisar os líderes do ranking — Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes —, Honorato destacou a visão estratégica de longo prazo. “Singapura começou a olhar para o futuro de forma estruturada, com planejamentos de 40 a 50 anos”, disse.

Países como Suíça e Taiwan investem em processos sólidos e na formação de pessoas altamente qualificadas. “Eles têm visão de futuro, enquanto aqui tentamos remendar o dia a dia”, comparou.

Honorato defendeu que, no curto prazo, a população deve pressionar representantes políticos para priorizar a educação. “Estamos em ano eleitoral; temos que cobrar quem vai para o Congresso e o Executivo para ter um olhar mais claro sobre a formação das pessoas”, afirmou.

Empresas também precisam assumir papel ativo no treinamento de trabalhadores e na criação de ambientes inovadores. “Se nos esforçarmos nos setores privado e público para colocar isso em prática, conseguimos recuperar parte do atraso”, concluiu.

Fonte: CNN Brasil

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade