A promessa de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir a chamada PEC 6×1, feita pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, tornou-se motivo de piada nos corredores do Legislativo. Nos bastidores, aliados de Alcolumbre já tratam o encontro como improvável.
A expectativa girava em torno de um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre para destravar a tramitação da proposta de emenda à Constituição que altera a jornada de trabalho. O Planalto havia sinalizado que o encontro era prioritário, mas a tensão política entre governo e Senado cresceu, frustrando as chances de realização.
O estopim para o agravamento das relações foi a defesa pública que Alcolumbre fez do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, em meio ao escândalo do Banco Master. Esse episódio ampliou os ruídos e reduziu a disposição do presidente do Senado para negociar diretamente com Lula.
Enquanto isso, a pressão interna no Senado para que a PEC avance não para de crescer. O senador Cleitinho Azevedo tem subido à tribuna repetidamente para cobrar que a Casa discuta o tema de forma efetiva, tentando acelerar o debate público sobre a proposta.
Nos bastidores, a avaliação de aliados de Alcolumbre é outra. Eles consideram que tanto a PEC 6×1 quanto o projeto que trata da chamada ‘taxa das blusinhas’ foram enviados ao Senado pelo Planalto sem qualquer articulação prévia. Essa falta de construção política é vista como um erro estratégico do governo.
Senadores próximos a Alcolumbre afirmam, em caráter reservado, que o grupo não está disposto a entregar a narrativa eleitoral de Lula ‘de bandeja’, sobretudo em um cenário de reeleição. A forte oposição do setor empresarial às mudanças propostas também pesa contra a aprovação.
Do lado governista, apesar dos anúncios públicos de Randolfe, integrantes do Congresso avaliam que Lula ainda não tomou medidas concretas para garantir que a reunião ocorra. Essa ausência de movimentação reforça a percepção de que a articulação política em torno da PEC está longe de um acordo.
Fonte: ND+






















