Os mercados financeiros encerraram a semana com desempenhos divergentes entre as principais praças globais. Enquanto investidores monitoram tensões geopolíticas no Oriente Médio e indicadores econômicos, o Brasil experimentou forte otimismo.
Na B3, o Ibovespa avançou cerca de 2%, ultrapassando 176 mil pontos, impulsionado pelo IPCA de junho abaixo das projeções do mercado, o que reforça expectativas de continuidade do ciclo de queda da Selic. O dólar comercial recuou para a faixa de R$ 5,11, com melhora no apetite por ativos de risco.
O índice brasileiro liderou os ganhos entre mercados emergentes, com movimento generalizado de compras em ações de commodities, bancos e infraestrutura.
Entre os destaques, a Vale (VALE3) beneficiou-se de um contrato bilionário com a MRS Logística e da recuperação do setor de mineração. A Petrobras (PETR4) subiu com alívio nas preocupações sobre interrupção na oferta global de petróleo. Itaú Unibanco (ITUB4) e outros bancos avançaram com a perspectiva de inflação controlada e juros menores. A Azul (AZUL3) divulgou plano de redução de alavancagem até 2029. A PRIO (PRIO3) foi um dos poucos papéis em leve baixa.
O IPCA abaixo do esperado reforça a desaceleração inflacionária, fator positivo para consumo, construção civil e varejo, setores sensíveis a juros.
Na Europa, os mercados operaram com cautela. Investidores avaliam impactos do conflito no Oriente Médio sobre energia e a política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
O DAX alemão caiu levemente, o CAC 40 francês teve pequena baixa e o FTSE 100 britânico registrou leve alta.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, puxadas por tecnologia e empresas chinesas de internet. O Hang Seng de Hong Kong subiu 0,6%, acumulando quase 4% na semana, melhor desempenho desde outubro de 2025. O Hang Seng Tech também se recuperou, com retorno de interesse por gigantes tecnológicas chinesas.
A Alibaba valorizou-se, enquanto a Tencent teve desempenho mais fraco. O Nikkei japonês subiu 1,2%, o Kospi sul-coreano disparou 2,5%, e os índices Shanghai Composite e CSI 300 caíram com realização de lucros em semicondutores.
Analistas apontam que o movimento positivo das empresas chinesas de internet depende de resultados corporativos mais fortes, diante da concorrência em inteligência artificial.
Além do IPCA brasileiro, o mercado monitora expectativas de cortes de juros pelo Banco Central, indicadores de inflação nos EUA, decisões do Federal Reserve, política monetária do BCE, tensões no Oriente Médio e comportamento de commodities como petróleo e minério de ferro.
Esses fatores determinam o fluxo de capital internacional e a precificação dos ativos.
O fechamento da semana mostra ambiente favorável a ativos de risco, especialmente no Brasil com o IPCA positivo. Analistas alertam que a volatilidade segue alta, com mercados globais condicionados a juros, indicadores econômicos e geopolítica.
Para investidores brasileiros, a combinação de inflação em queda, possível continuidade da redução da Selic e fluxo estrangeiro para a B3 tende a sustentar o mercado, desde que o cenário internacional não se deteriore.
Fonte: Portal do Agronegócio


























