Um medicamento amplamente conhecido por tratar disfunção erétil pode ganhar novo uso na oncologia. Estudo conduzido por cientistas dos Estados Unidos e de Israel aponta que o Viagra pode dificultar a disseminação de tumores pelo corpo, processo conhecido como metástase.
A pesquisa, intitulada “PDE5a Inhibition Restricts Cancer Metastasis by Disrupting Lysosomal Cholesterol Export”, envolveu mais de 40 mil pacientes e indica que o uso do remédio está ligado a maior sobrevida, com queda de até 31% no risco de morte em cinco anos.
O princípio ativo do Viagra, o sildenafil, age diretamente nas células cancerígenas, bloqueando o transporte de colesterol, substância essencial para que esses tumores cresçam e se espalhem. Sem esse suprimento, as células tumorais perdem a capacidade de migrar para outros órgãos.
De acordo com os pesquisadores, o sildenafil inibe a enzima PDE5a e aumenta os níveis de cGMP, molécula que atua como sinalizadora. Em excesso, essa molécula impede que o colesterol chegue a partes vitais da estrutura celular.
O colesterol fica acumulado nos lisossomos, estruturas responsáveis pela digestão intracelular. Com isso, as células cancerígenas sofrem colapso energético e não conseguem invadir novos tecidos.
Os cientistas observaram que o efeito é mais pronunciado nas células tumorais do que nas saudáveis, pois os tumores têm maior dificuldade de lidar com a ausência de colesterol. Essa seletividade pode favorecer o uso do medicamento em terapias futuras.
Os testes foram realizados com modelos de câncer de mama, pulmão e cólon, tanto em células humanas quanto em camundongos. Os resultados foram consistentes nos três tipos de tumor.
Além dos experimentos laboratoriais, a equipe analisou registros de mais de 40 mil pacientes nos EUA e em Israel. Os dados mostram que quem usava Viagra apresentava melhor sobrevida, principalmente quando o remédio era combinado com estatinas, medicamentos para reduzir colesterol.
Nesse grupo específico, a redução no risco de morte após cinco anos chegou a 31%, o que reforça a hipótese do potencial terapêutico do sildenafil como coadjuvante no tratamento oncológico.
Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores alertam que ainda são necessários ensaios clínicos mais amplos, especialmente com mulheres diagnosticadas com câncer de mama triplo-negativo. A pesquisadora Ayelet Erez ressalta que o Viagra foi escolhido por ter perfil de segurança já conhecido, o que pode acelerar sua incorporação como terapia complementar.
A descoberta abre portas para a reutilização de medicamentos já existentes na luta contra a metástase, uma das fases mais letais do câncer. A proposta é usar o Viagra em conjunto com as terapias convencionais, oferecendo uma nova esperança aos pacientes.
Fonte: ND+


























