O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposta ingerência nas investigações da Polícia Federal (PF) que miram o filho do petista, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha. Em contrapartida, o parlamentar assegurou que, se eleito, concederá anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, a quem considera vítima de um processo judicial injusto conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em sua plataforma de governo, Flávio Bolsonaro promete estender o perdão não apenas ao genitor, mas também a todos os investigados e condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília. A declaração foi dada durante sabatina promovida pela empresa de educação executiva G4, em parceria com o portal O Antagonista, na qual o presidenciável participou de forma remota.
Ao se apresentar, Flávio Bolsonaro fez questão de se diferenciar do pai, autointitulando-se “Bolsonaro vacinado”, numa referência à postura do ex-presidente diante da vacinação contra a Covid-19. O senador procura, assim, construir uma imagem própria, distante do estilo confrontador de Jair Bolsonaro, para atrair o eleitorado moderado.
A sabatina integra uma série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência. Além de Flávio, foram ouvidos, em ocasiões distintas, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, foi convidado, mas não compareceu ao evento.
Em paralelo, Flávio Bolsonaro anunciou que definiu o nome do vice-presidente em sua chapa. A revelação será feita em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5), em Brasília. A escolha encerra um período de incertezas, após semanas de negociações lideradas pelo PL para atrair partidos de centro e de direita para a coligação presidencial.
A estratégia inicial previa que o posto de vice pudesse ser preenchido por um nome indicado por legendas como Republicanos e pela federação composta por União Brasil e Progressistas (PP). Contudo, essas agremiações comunicaram que manterão neutralidade na disputa presidencial, o que frustrou os planos do senador.
Nos bastidores, os nomes mais cotados para a vice eram a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, filiada ao Republicanos, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro. Tereza Cristina chegou a aceitar o convite, mas recuou após o PP declarar neutralidade no pleito.
Além de PP, Republicanos, União Brasil e Podemos, outras legendas também optaram por não apoiar formalmente nenhum candidato à Presidência. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro minimizou o impacto dessas decisões, afirmando que os “principais quadros” dessas siglas estarão ao seu lado nos estados durante a campanha.
O senador manteve negociações até o último momento para definir o vice, mesmo com o prazo final para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, marcado para 15 de agosto. A indefinição, no entanto, já era vista como um obstáculo para a consolidação de sua candidatura, uma vez que o apoio partidário é considerado crucial para a viabilidade de uma campanha nacional.
Com um discurso afinado com a base bolsonarista, Flávio insiste na tese de que seu pai foi alvo de perseguição política e promete revisar o processo que o levou à inelegibilidade. A promessa de anistia, contudo, tem gerado reações contrárias de setores que enxergam nela um risco à democracia e ao Estado de Direito.
Fonte: O Sul


























