Em um movimento que redefine a segurança hemisférica, a Colômbia deu um passo significativo ao aderir formalmente à Coalizão das Américas contra Cartéis, uma aliança militar liderada pelos Estados Unidos. O anúncio ocorreu durante uma reunião de alto nível realizada no Panamá, que contou com a presença de autoridades de defesa de várias nações da região.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, recebeu o novo ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, com um aperto de mão que simbolizou a nova fase da parceria bilateral. Hegseth confirmou que a Colômbia autorizou operações militares conjuntas, focadas em desmantelar o que descreveu como redes terroristas ligadas ao tráfico de drogas.
Essas ações se estendem a uma série de iniciativas militares americanas na região, incluindo ataques aéreos contra embarcações suspeitas de transporte de narcóticos realizados desde setembro do ano passado. Essas operações, que já resultaram em centenas de baixas, fazem parte de uma estratégia mais ampla que também incluiu uma incursão de forças especiais na Venezuela, culminando na queda do governo de Nicolás Maduro.
Críticos internacionais têm levantado preocupações sobre a legalidade dessas ações, sugerindo que elas poderiam ser classificadas como crimes de guerra. Em resposta, Hegseth adotou um tom de desafio, instando os aliados a reconsiderarem sua participação no Tribunal Penal Internacional, que ele considera uma instituição com preconceitos contra os Estados Unidos.
Durante seu discurso na capital panamenha, Hegseth traçou um paralelo entre os cartéis de drogas e grupos extremistas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, justificando a necessidade de uma resposta militar robusta. Ele também ressaltou a importância de proteger o hemisfério de influências externas, invocando uma versão atualizada da Doutrina Monroe, que historicamente justificou a intervenção americana na América Latina.
O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, tem se mostrado alinhado com as políticas de Washington, prometendo uma ofensiva vigorosa contra o narcotráfico. Em seu discurso de posse, ele se comprometeu a erradicar as plantações ilícitas e a integrar o país ao programa Escudo das Américas, uma iniciativa de segurança regional proposta por Trump.
A mudança política na Colômbia reflete uma tendência mais ampla na América Latina, onde vários países têm visto uma ascensão de líderes de direita, impulsionados por preocupações com a segurança e o desempenho econômico. Nações como Peru, Argentina e Chile testemunharam um realinhamento eleitoral, com candidatos prometendo uma abordagem mais dura para o crime.
No Panamá, a influência americana também se fez sentir quando a Suprema Corte local decidiu não renovar as concessões portuárias da CK Hutchison, uma empresa sediada em Hong Kong, após pressões de Washington sobre a crescente presença chinesa na região. O canal, por onde passa uma parcela significativa do comércio marítimo global, tornou-se um ponto focal na disputa geopolítica entre EUA e China.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, defendeu a coalizão, alegando que o combate ao tráfico de drogas é essencial para preservar a soberania regional. Ele rejeitou as preocupações sobre interferência estrangeira, insistindo que o verdadeiro inimigo são as organizações criminosas que operam além das fronteiras.
Essas mudanças indicam uma nova era de cooperação militar nas Américas, com a Colômbia se posicionando como um aliado-chave nos esforços dos EUA para conter o narcotráfico, apesar dos desafios legais e éticos que possam surgir.
Fonte: CNN Brasil

























