O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, divulgado recentemente pelo Ministério dos Transportes, manteve em seu portfólio o projeto de uma ferrovia que atravessaria Santa Catarina de oeste a leste. O traçado previsto liga Dionísio Cerqueira, na divisa com a Argentina, até a estrutura portuária de Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte, somando cerca de 850 quilômetros de extensão.
De acordo com o documento, essa ligação ferroviária foi classificada como um empreendimento de longo prazo, integrando um banco de projetos futuros. Além dela, também consta no plano a chamada ferrovia litorânea, que conectaria os portos de São Francisco do Sul e Imbituba. Essas iniciativas são tratadas como eixos de transporte alternativo, mas não há, no momento, nenhuma ação concreta em andamento para viabilizar a construção dessas linhas.
A ideia de unir o Oeste catarinense ao litoral por trilhos não é nova. Historicamente, o projeto ficou conhecido como Ferrovia do Frango, devido à expectativa de escoar a produção avícola da região para exportação pelos portos. Contudo, a pedido do governo estadual, a denominação foi alterada para Corredor Ferroviário de Santa Catarina, com o intuito de ampliar o leque de cargas que poderiam ser transportadas. Em alguns momentos, a proposta também foi chamada de Ferrovia da Integração.
O Plano Diretor Ferroviário do estado, elaborado há mais de duas décadas, já previa essa conexão. Em 2014, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deu início a um novo Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). Naquela ocasião, havia a expectativa de que o projeto básico e as obras fossem contratados em 2016, mas o processo não avançou. O estudo foi concluído, porém a licitação para o projeto nunca chegou a ser realizada.
Mais recentemente, em 2022, o governo do estado contratou a elaboração de um projeto básico para outra ligação entre o Oeste e o planalto serrano. Esse novo traçado, que parte de Chapecó e segue até Correia Pinto, tem 319 quilômetros e foi desenhado para se conectar ao Tronco Sul, possibilitando a integração com a malha ferroviária nacional. A previsão é que esse projeto seja concluído em agosto, e o custo estimado da obra é de US$ 2 bilhões. Apesar disso, ainda não há qualquer definição sobre quando as obras poderão ser contratadas.
Especialistas apontam que a concretização desses projetos depende de investimentos significativos e de articulação política, tanto em nível estadual quanto federal. A manutenção da ferrovia no PNL 2050 é vista como um passo importante, mas não garante recursos imediatos. A infraestrutura de transporte em Santa Catarina é considerada estratégica para o escoamento da produção agroindustrial e de outros setores, e a ausência de uma malha ferroviária eficiente acaba sobrecarregando as rodovias.
Enquanto os planos não saem do papel, a movimentação de cargas no estado segue dependente dos caminhões, o que eleva custos e impacta a competitividade dos produtos catarinenses. A expectativa é que o novo projeto básico, quando concluído, sirva de base para futuras negociações e captação de recursos, embora o cenário atual ainda seja de incerteza quanto aos prazos e à viabilidade financeira das obras.
O PNL 2050 também elenca outras intervenções para Santa Catarina, que devem ser detalhadas em etapas posteriores de planejamento. A inclusão no plano, no entanto, não representa garantia de execução, mas sim uma priorização dentro de um conjunto de projetos de longo prazo, que dependem de estudos complementares e de disponibilidade orçamentária.
Fonte: NSC Total
























