SALADA ELEITORALNeutralidade nacional divide partidos em SC na eleição presidencial

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As legendas que se declararam neutras na corrida presidencial de 2026, em nível nacional, adotaram estratégias distintas em Santa Catarina. Com os diretórios estaduais autorizados a definir seus próprios caminhos nos acordos regionais, as siglas se dividem entre reforçar a neutralidade e declarar suporte explícito ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

No grupo que apoia a reeleição do governador Jorginho Mello (PL), o Republicanos resolveu acompanhar a candidatura bolsonarista, deixando de lado a posição neutra adotada pela executiva nacional. A sigla integra a coligação do chefe do Executivo estadual e agora se alinha ao presidenciável de forma oficial.

Por outro lado, outras agremiações que compõem a base de Jorginho Mello optaram por manter a neutralidade também no estado. Podemos e a federação PSDB-Cidadania seguem na aliança pela reeleição do governador, mas deixam seus filiados livres para escolher o candidato à Presidência sem orientação partidária.

A divisão também aparece entre as legendas que apoiam a candidatura de João Rodrigues (PSD) ao governo do estado. O MDB, que faz parte dessa coligação, informou que vai espelhar a decisão nacional e permanecer neutro na disputa presidencial. Contudo, o presidente estadual do partido, Carlos Chiodini (MDB), que concorre como vice-governador na chapa, admite maior afinidade com o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).

Caiado, por sua vez, já esteve em Santa Catarina durante a convenção que homologou a candidatura de João Rodrigues e Chiodini, no início do mês, em um gesto de reciprocidade pelo apoio recebido. O ex-governador de Goiás conta com o respaldo formal do PSD catarinense, que lidera a chapa majoritária.

No âmbito da federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, a orientação foi de apoiar Flávio Bolsonaro no estado, conforme relatou o deputado Fábio Schiochet, presidente do União Brasil e coordenador do bloco. A decisão se deu mesmo com a neutralidade declarada nacionalmente pela federação.

No Progressistas, o apoio ao candidato do PL já era público por parte de lideranças como Esperidião Amin, presidente estadual da sigla e postulante à reeleição ao Senado. Amin não escondeu sua preferência por Flávio Bolsonaro, o que ajudou a consolidar o posicionamento da legenda em Santa Catarina.

A federação Renovação Solidária, que reúne PRD e Solidariedade, também resolveu endossar a candidatura bolsonarista no estado, apesar da neutralidade proclamada em âmbito nacional. O grupo possui candidato próprio ao governo catarinense, o defensor público Ralf Zimmer (PRD), mas preferiu tomar partido na eleição presidencial, alinhando-se ao PL.

Essas decisões estaduais contrastam com o cenário nacional, onde a neutralidade prevaleceu entre os diretórios do Centrão. Levantamento feito pelo jornal O Globo apontou que a maioria das executivas estaduais de União Brasil, PP e Republicanos seguiu a orientação das cúpulas e optou por não declarar apoio a nenhum presidenciável.

De acordo com o levantamento, dos 52 comandos estaduais dessas três siglas, 25 decidiram permanecer neutros, 16 manifestaram suporte a Flávio Bolsonaro e 11 declararam apoio ao ex-presidente Lula (PT). Os números revelam uma fragmentação expressiva dentro do chamado Centrão, que historicamente costuma caminhar de forma coesa.

Em Santa Catarina, contudo, a tendência de apoio a Flávio Bolsonaro acabou prevalecendo entre os partidos que, nacionalmente, optaram pela neutralidade. Das seis legendas ou federações que declararam posição neutra no país, quatro escolheram respaldar o candidato do PL no estado: Republicanos, União Progressista e Renovação Solidária, além do próprio PP, que integra a federação com o União Brasil.

Somente duas siglas mantiveram a neutralidade em Santa Catarina: o Podemos e a federação PSDB-Cidadania. Ambas continuam apoiando Jorginho Mello na disputa estadual, mas sem direcionar seus filiados quanto ao voto presidencial, deixando a decisão a critério individual de cada um.

O MDB, que declarou neutralidade tanto em nível nacional quanto estadual, também faz parte desse grupo, embora seu presidente estadual demonstre simpatia pela candidatura de Caiado, do partido aliado PSD. Chiodini não descarta que, na prática, a legenda possa se aproximar do presidenciável tucano ao longo da campanha.

Com essas definições, o eleitorado catarinense encontrará um cenário diversificado no pleito presidencial, com parte significativa das siglas de centro optando por embarcar no projeto bolsonarista, enquanto outras preferem não se comprometer com nenhum dos três principais postulantes: Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado.

Fonte: NSC Total

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