REFLEXOS ECONÔMICOSEl Niño pode elevar preços de alimentos em SC; veja quais

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A intensificação do El Niño, prevista para o fim de 2025 e início de 2026, deve provocar alterações nos preços de diversos produtos agrícolas em Santa Catarina. Especialistas apontam que o fenômeno pode reduzir a oferta de alimentos e elevar os custos ao consumidor.

De acordo com meteorologistas e economistas, o El Niño costuma trazer secas, enchentes e ondas de calor que prejudicam as plantações. Esses eventos climáticos extremos afetam diretamente a produção e podem levar à escassez de alimentos.

Em anos de El Niño, é comum que o consumidor sinta no bolso o efeito da quebra de safras. A lógica é simples: com menos oferta e demanda estável, os preços tendem a subir. O impacto pode aparecer nos supermercados em semanas ou meses.

O professor de Economia Edivan Junior Pommerening explica que o fenômeno mexe com o clima e, quando isso acontece, diversos setores sentem o impacto. Agricultura, energia, transporte e comércio podem ser afetados em cadeia, influenciando preços e até a inflação.

Segundo o especialista, o produtor também arca com custos extras para recuperar lavouras, transportar mercadorias e comprar insumos. Esses gastos adicionais tendem a ser repassados para o preço final dos produtos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que o setor agrícola é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas. As variações de chuva e temperatura interferem no desenvolvimento das culturas e na produtividade.

Na Região Sul, o El Niño costuma aumentar o volume de chuvas, especialmente no inverno e na primavera. O excesso de umidade no solo pode favorecer o surgimento de doenças, pragas e plantas daninhas nas lavouras.

Os produtores de trigo e aveia ficam em alerta nos meses de setembro e outubro, época de floração e enchimento dos grãos. Chuvas intensas nesse período podem comprometer a safra.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostram que, em anos chuvosos, a produção de trigo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul ficou 80% abaixo da média histórica. Para a aveia, a queda foi de cerca de 60%.

Milho, soja, feijão, arroz, frutas, hortaliças e carnes também estão na lista dos produtos que podem sofrer alterações de preço. A cadeia produtiva de carnes é especialmente sensível porque depende de grãos como milho e soja para alimentação animal.

O professor Pommerening destaca que o impacto não se limita à lavoura. Se a produção de grãos cai, o custo da ração sobe e isso reflete no preço da carne. O efeito percorre toda a cadeia até chegar ao consumidor.

Nem todos os preços sobem imediatamente. O especialista observa que alguns efeitos podem aparecer só na safra seguinte, dependendo da intensidade dos danos. A alta pode ser gradual e mais pesada nos meses posteriores.

Além dos alimentos, o El Niño pode causar prejuízos à infraestrutura. Enchentes e deslizamentos danificam estradas, pontes e moradias, exigindo investimentos públicos para reconstrução.

Esses gastos extraordinários podem sobrecarregar o orçamento do governo, limitando recursos para outras áreas ou aumentando a necessidade de financiamento. O impacto econômico, portanto, vai além do prejuízo imediato.

Um exemplo recente é o Rio Grande do Sul, que em 2024 sofreu com chuvas intensas. Mais de 100 deslizamentos foram registrados em um trecho de 20 quilômetros de estrada, e as obras de reconstrução consumiram cerca de R$ 700 milhões.

O fenômeno El Niño tem uma dinâmica complexa. Ele começa com o enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente empurram a água quente do Pacífico para a Ásia. Com ventos mais fracos, essa água quente retorna para a América do Sul.

Esse deslocamento aquece o oceano próximo ao litoral e reduz a ressurgência de água fria. O oceano mais quente libera mais calor para a atmosfera, mudando os padrões de vento e chuva.

Para ser caracterizado como El Niño, o aquecimento precisa persistir por pelo menos cinco meses. Quando a temperatura do oceano fica mais de 2°C acima da média, o fenômeno é popularmente chamado de super El Niño.

Em Santa Catarina, o El Niño costuma trazer mais chuvas nas regiões Oeste e Norte, principalmente na primavera e no verão. No segundo ano do fenômeno, os impactos podem ser mais fortes no inverno.

A Defesa Civil prevê que o auge do El Niño em 2026 ocorra entre novembro e janeiro. Ainda não há confirmação sobre a intensidade, mas o meteorologista Caio Guerra classifica o risco como alto, especialmente para a primavera.

Historicamente, os maiores El Niños já registrados, como o de 1982 e 1983, causaram estragos significativos. Pesquisadores agora monitoram sinais de um evento que pode superar aqueles danos, mas ainda é cedo para afirmar com certeza.

O governo e as defesas civis estaduais acompanham a evolução do fenômeno. Medidas de prevenção, como monitoramento de áreas de risco e obras de infraestrutura, podem ajudar a reduzir os impactos na agricultura e na população.

Para o consumidor, a dica é ficar atento aos preços e planejar as compras. Produtos como arroz, feijão, frutas e verduras podem sofrer variações, mas o impacto mais significativo deve ser sentido nas próximas safras.

Fonte: NSC Total

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