Candidato em SC doa R$ 1 milhão à própria campanha,
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ESQUERDA RICACandidato em SC doa R$ 1 milhão à própria campanha, superando seu patrimônio declarado

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O candidato ao governo de Santa Catarina, Gelson Merisio (PSB), fez uma autodoação de R$ 1 milhão para sua campanha eleitoral. O valor, registrado em sua prestação de contas, tornou-o o maior doador individual entre os postulantes nas eleições de 2026.

O montante é superior ao patrimônio que o político declarou à Justiça Eleitoral neste ano. De acordo com os dados oficiais, Merisio possui R$ 652.953,78 em bens, ou seja, R$ 347 mil a menos do que o valor investido em sua própria candidatura.

Além disso, a lista de bens apresentada agora é menor do que a informada na disputa de 2018, quando ele concorreu ao Palácio de Santa Catarina. Naquele ano, o patrimônio declarado era de R$ 722.844,59, o que indica uma queda de quase 10% em oito anos.

A assessoria do candidato enviou uma nota afirmando que tanto a declaração patrimonial quanto a doação de R$ 1 milhão seguem as normas eleitorais vigentes. A equipe também esclareceu a origem dos recursos e as razões para a diferença entre o valor doado e os bens registrados.

Merisio, em comunicado, explicou que é casado há 38 anos sob o regime de comunhão universal de bens. Segundo ele, o Código Civil impede que cônjuges nesse regime constituam sociedade entre si, o que motivou a criação de uma empresa, em 2013, para gerir o patrimônio familiar, registrada apenas em nome de sua esposa e de seus filhos.

A assessoria destacou que a legislação eleitoral exige apenas a declaração dos bens que estejam em nome do próprio candidato, não sendo obrigatório incluir itens de cônjuges ou dependentes. Isso explicaria por que o patrimônio pessoal declarado é menor do que o montante doado.

Sobre a autodoação, a nota afirma que os R$ 1 milhão provêm dos rendimentos recebidos por Merisio em 2026. O candidato atua como executivo em uma empresa privada, com remuneração mensal estimada em R$ 300 mil, e utiliza as sobras anuais para aumentar o capital da empresa da família, procedimento permitido pelo regime de casamento.

Na declaração enviada ao TSE, Merisio listou oito bens, incluindo aplicações financeiras, participações societárias, depósitos bancários, um imóvel e uma linha telefônica. A casa residencial em São Paulo, comprada em outubro de 2024, é o item de maior valor, avaliado em R$ 430 mil, o que representa cerca de 66% do patrimônio total.

Os demais itens incluem uma participação na empresa Merisio Comércio de Materiais de Construção Ltda., no valor de R$ 95 mil, e quotas de capital no Sicoob/Credimoc, de R$ 75.546,75. O candidato também declarou R$ 48.359,22 em conta corrente na cooperativa, além de valores menores em outras instituições.

A lista completa apresentada à Justiça Eleitoral é composta por: casa em São Paulo (R$ 430.000), participação na Merisio Comércio (R$ 95.000), quotas no Sicoob/Credimoc (R$ 75.546,75), depósito no Sicoob/Credimoc (R$ 48.359,22), conta no PicPay Bank (R$ 1.166,41), linha telefônica (R$ 2.147), aplicação em CDB no Banco do Brasil (R$ 734,39) e conta corrente e plano VGBL no Banco do Brasil (R$ 0,01).

A soma desses valores chega a R$ 652.953,78, exatamente o montante informado pelo candidato como seu patrimônio total. Enquanto isso, a doação de R$ 1 milhão para a própria campanha segue gerando questionamentos sobre a compatibilidade entre renda e patrimônio.

Especialistas em direito eleitoral apontam que a autodoação é permitida, mas a origem dos recursos deve ser comprovada. No caso de Merisio, a assessoria garante que tudo está dentro da lei, mas a diferença entre o valor doado e os bens declarados chama a atenção do eleitorado.

O candidato, que disputa o governo catarinense pela Frente de Esquerda, ainda não se pronunciou publicamente além da nota oficial. A campanha segue em andamento, e a prestação de contas será fiscalizada pelo TSE e pelo Ministério Público Eleitoral.

Fonte: ND+

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