A semana foi marcada pela cautela dos investidores diante do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), e pelas incertezas relacionadas aos rumos da política econômica brasileira.
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta de 0,47%, aos 205.082,56 pontos. Apesar da recuperação no último pregão, o principal índice da Bolsa brasileira acumulou queda de 0,17% na semana. O resultado contrasta com o forte desempenho de outubro, período em que o índice acumula valorização de 10,06%. No ano, a alta chega a 27,28%.
No mercado cambial, o dólar comercial à vista encerrou a sexta-feira cotado a R$ 4,993, com queda diária de 0,92%. Na semana, a moeda norte-americana recuou 1,58%, voltando a ficar abaixo da marca psicológica de R$ 5. A desvalorização do dólar reflete, entre outros fatores, os movimentos de posicionamento dos investidores diante do cenário eleitoral.
No exterior, as tensões geopolíticas no Oriente Médio impulsionaram o petróleo. O barril do Brent subiu 3,13% na sexta-feira, para US$ 116,72, contribuindo para o desempenho positivo das ações de empresas petrolíferas brasileiras. A alta da commodity, contudo, também aumenta as preocupações com possíveis pressões inflacionárias globais.




Comentário do Assessor
A semana termina com um recado importante para o investidor: o mercado brasileiro continua bastante sensível ao cenário político, e a proximidade da decisão eleitoral tende a ampliar a volatilidade dos ativos.
Depois da valorização expressiva do Ibovespa em outubro, considero prudente evitar decisões impulsivas e compras motivadas exclusivamente pelo otimismo do mercado. A correção semanal foi pequena, mas serve como lembrete de que movimentos de alta não ocorrem em linha reta.
Para quem investe com foco no longo prazo, momentos de incerteza também podem abrir oportunidades. O caminho é manter uma carteira diversificada, respeitar o perfil de risco e buscar empresas com fundamentos sólidos, geração consistente de caixa, endividamento administrável e preços que ofereçam margem de segurança.
Na renda variável, o investidor deve diferenciar empresas de qualidade negociadas a preços razoáveis daquelas cujas cotações já incorporam expectativas excessivamente otimistas. Em vez de tentar antecipar cada movimento da Bolsa, vale manter disciplina, caixa disponível para oportunidades e uma estratégia compatível com seus objetivos financeiros.
O resultado das urnas poderá provocar ajustes relevantes nos preços dos ativos, mas a construção de patrimônio depende muito mais de método, paciência e gestão de risco do que de tentar acertar o próximo movimento do mercado.

Charles Cancillier Bratti – Assessor de Investimentos
























