PSICOLOGIAComo o transtorno de ansiedade de separação impacta a vida adulta

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Muitos associam o choro desesperado e o apego excessivo apenas a crianças na porta da escola. No entanto, o Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) é uma realidade clínica séria que afeta milhões de adultos ao redor do mundo. Embora historicamente classificado como um transtorno exclusivo da infância, a ciência moderna reconhece que ele pode não apenas persistir, como também surgir pela primeira vez na maturidade.

 

O TAS EM ADULTOS: ESTATÍSTICAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

Diferente do que se acreditava anteriormente, a prevalência em adultos é significativa e os números revelam um cenário preocupante:

  • Prevalência: Estima-se que afete entre 1% e 2% dos adultos, embora alguns estudos apontem taxas de até 6%.
  • Início Tardio: Surpreendentemente, mais de 70% dos casos adultos começam após os 18 anos.
  • Persistência: Aproximadamente 1/3 dos casos diagnosticados na infância continuam a apresentar sintomas na vida adulta se não forem tratados adequadamente.
  • Gênero: Enquanto na infância é ligeiramente mais comum em meninas, na idade adulta a distribuição tende a ser igual entre homens e mulheres.

COMO O TRANSTORNO SE MANIFESTA NO DIA A DIA DO ADULTO?

Em adultos, o medo não é de “se perder dos pais”, mas sim uma preocupação excessiva e irreal com a segurança de cônjuges, filhos ou outros entes queridos. Esse sofrimento manifesta-se de formas que prejudicam diretamente a autonomia e a carreira:

  1. Dificuldade Profissional: Relutância ou recusa em sair de casa para trabalhar, viajar a negócios ou aceitar promoções que exijam deslocamento.
  2. Relacionamentos de Dependência: Tendência a desenvolver vínculos marcados por uma necessidade constante de proximidade e reasseguramento, o que pode gerar conflitos familiares e sufocar parceiros.
  3. Incapacidade de Ficar Sozinho: Medo persistente de permanecer em casa sem companhia ou de dormir longe das figuras de apego.
  4. Sintomas Somáticos Reais: Queixas frequentes de cefaléias, dores abdominais, náuseas e vômitos quando a separação ocorre ou é apenas antecipada.

A CONEXÃO COM O PÂNICO E OUTROS RISCOS

O TAS no adulto raramente caminha sozinho. Ele é um forte preditor de outros problemas de saúde mental, especialmente o Transtorno do Pânico e a Agorafobia. Estudos mostram que indivíduos com TAS adulto frequentemente sofrem também de depressão maior ou distimia devido ao isolamento social e às limitações impostas pelo medo.

Para um diagnóstico clínico em adultos, os sintomas devem ser excessivos para o nível de desenvolvimento e persistir por pelo menos seis meses.

 

EXISTE SOLUÇÃO?

A boa notícia é que o TAS adulto responde muito bem ao tratamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada a abordagem de primeira linha. Ela foca na reestruturação de pensamentos catastróficos e na exposição gradual às situações temidas, ajudando o indivíduo a retomar o controle de sua rotina. Em casos mais graves ou comórbidos, o uso de medicamentos, como os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), pode ser indicado por um psiquiatra.

Reconhecer que a ansiedade de separação não é “frescura” ou “falta de maturidade”, mas sim um transtorno tratável, é o primeiro passo para recuperar a liberdade e a qualidade de vida.

 

Juliana da Rosa Mengue | CRP 12/4706

WhatsApp: (48) 998350620 | Instagram: juliana.darosamengue

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