CÂMBIODólar fica estável com foco em Oriente Médio, juros e petróleo; mercado monitora Selic e Fed

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O dólar abriu a semana praticamente sem variação frente ao real, em um cenário de cautela nos mercados internacionais. Os investidores acompanham de perto as tensões entre Estados Unidos e Irã, além das expectativas para os juros no Brasil e no exterior, e a trajetória do petróleo.

Nos primeiros negócios, a moeda americana flutuou em torno de R$ 5,06, depois de fechar julho com queda acumulada de 1,81%. No ano de 2026, a divisa já recuou mais de 7%, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro, sinais de corte gradual da Selic e maior apetite por ativos de risco.

O conflito no Oriente Médio segue como o principal vetor de curto prazo. No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou uma nova ação militar contra o Irã e disse que países da região pediram mais tempo para negociar um acordo sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Apesar da negativa iraniana sobre conversas formais com Washington, o mercado aposta em avanços diplomáticos, o que reduz momentaneamente o risco geopolítico. Como reflexo, o petróleo recuou nas primeiras horas, as bolsas europeias operaram em alta e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano caíram, indicando busca por segurança.

Internacionalmente, o dólar perdeu força diante de moedas emergentes como peso chileno, peso mexicano e rand sul-africano. No Brasil, o movimento cambial é limitado pelas apostas sobre a próxima reunião do Banco Central e do Federal Reserve.

O diferencial de juros entre os dois países permanece um dos principais suportes para o real, mesmo com projeções de novos cortes na Selic no segundo semestre. O mercado também observa a reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para esta semana, em busca de sinais sobre o ritmo da queda da taxa básica.

O Relatório Focus manteve as previsões para o câmbio praticamente inalteradas. A estimativa é de dólar a R$ 5,20 no fim de 2026 e R$ 5,28 no fechamento de 2027. Para a Selic, os economistas passaram a prever reduções até o fim do ano, com a taxa chegando a 13,75%, ante os atuais 14,25%.

Esse ajuste tende a diminuir o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, o que pode limitar uma apreciação mais forte do real nos próximos meses. Acompanhando o cenário, a bolsa brasileira segue com ganhos consistentes: o Ibovespa subiu 3,45% em julho e acumula alta superior a 10% no ano.

O desempenho positivo é atribuído à expectativa de juros menores, ao fluxo de investidores estrangeiros e à recuperação dos lucros corporativos. Nesta semana, o mercado aguarda indicadores econômicos e declarações de dirigentes de bancos centrais, que podem dar pistas sobre a política monetária global.

Analistas acreditam que o câmbio continuará refém do noticiário sobre o Oriente Médio, da oscilação do petróleo e das decisões de juros no Brasil e nos EUA. Se houver acordo diplomático e queda nas tensões, o petróleo tende a recuar e os recursos podem fluir para mercados emergentes, beneficiando o real.

Na contramão, uma escalada do conflito pode elevar a aversão a risco e fortalecer o dólar no mundo inteiro. Por isso, o mercado mantém cautela, com o câmbio reagindo a cada novo capítulo da geopolítica e aos sinais das autoridades monetárias.

Fonte: Portal do Agronegócio

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