
O comportamento dos eleitores da AMESC no primeiro turno mostra uma região amplamente favorável a Flávio Bolsonaro, mas deixa algumas perguntas importantes para a votação decisiva deste domingo (25): onde o candidato do PL ampliará mais sua vantagem? Em qual município Lula conseguirá reduzir a diferença? E de que forma a abstenção poderá alterar o resultado?
Nos 15 municípios da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense, Flávio recebeu 96.308 votos, equivalentes a 68,94% dos votos válidos. Lula somou 32.939 votos, ou 23,58%. Outros candidatos reuniram 10.450 votos, correspondentes aos 7,48% restantes.
A vantagem regional de Flávio sobre Lula foi de 63.369 votos. Os números foram calculados a partir dos arquivos oficiais de votação nominal e de apuração por município e zona eleitoral disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Turvo teve a maior vantagem proporcional
Flávio venceu nos 15 municípios da AMESC. Seu desempenho mais expressivo ocorreu em Turvo, onde alcançou 79,68% dos votos válidos, contra 14,67% de Lula. A diferença foi de 65,01 pontos percentuais.
Na sequência aparecem Meleiro, com 78,35% para Flávio, Morro Grande, com 76,86%, Jacinto Machado, com 75,72%, e Ermo, com 75,28%.
Esses municípios formam o núcleo mais consolidado do eleitorado favorável ao candidato do PL. A hipótese é que Turvo e Meleiro possam novamente apresentar as maiores diferenças proporcionais no segundo turno.
Entretanto, quando se considera a ampliação da vantagem em números absolutos, Araranguá é o principal candidato. O maior município da região já entregou a Flávio uma diferença de 18.282 votos no primeiro turno — 28.755 contra 10.473.
Sombrio aparece como o segundo território mais importante em volume: foram 12.474 votos para Flávio e 4.082 para Lula, uma diferença de 8.392 votos.
Balneário Arroio do Silva teve a menor diferença
O resultado mais equilibrado da AMESC ocorreu em Balneário Arroio do Silva. Flávio recebeu 61,13% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 31,91%. A distância entre os dois foi de 29,22 pontos percentuais.
O município também apresentou o maior percentual de Lula em toda a região.
Outros municípios litorâneos registraram diferenças inferiores à média regional: Praia Grande teve 63,01% para Flávio e 28,45% para Lula; Balneário Gaivota marcou 63,51% contra 28,95%; e Passo de Torres apresentou 64,01% contra 28,25%.
Esse conjunto indica um comportamento diferente daquele observado nos municípios mais ligados ao interior e à atividade agrícola. A principal hipótese para o segundo turno é que a menor diferença continue em Balneário Arroio do Silva, embora Praia Grande, Balneário Gaivota e Passo de Torres também devam permanecer como pontos de melhor desempenho proporcional de Lula.
AMESC teve mais de 32 mil abstenções
A região contabilizava 176.256 eleitores aptos no primeiro turno. Desse total, 143.822 compareceram às urnas e 32.434 não votaram, resultando em uma abstenção regional de 18,40%.
A maior taxa foi registrada em Balneário Gaivota, onde 3.068 dos 12.988 eleitores aptos não compareceram. A abstenção chegou a 23,62%.
Balneário Arroio do Silva aparece em seguida, com 22,25%, seguido por Passo de Torres, com 20,62%, e Araranguá, com 20,19%.
Em números absolutos, Araranguá concentra o maior contingente a ser disputado: 11.115 eleitores deixaram de votar. Depois aparecem Sombrio, com 3.756 ausentes; Balneário Gaivota, com 3.068; e Balneário Arroio do Silva, com 2.924.
Isso significa que a maior abstenção proporcional poderá novamente ocorrer no litoral, especialmente em Balneário Gaivota. Já o maior impacto numérico de uma eventual mobilização ou desmobilização tende a ocorrer em Araranguá.
Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Passo de Torres e Praia Grande combinaram três características: melhor desempenho petista, menor vantagem de Flávio e, em boa parte dos casos, abstenção elevada.
O risco para Lula é que uma nova elevação das ausências justamente nesses municípios reduza seu crescimento. Caso a abstenção aumente entre os eleitores que votaram em candidatos eliminados, Flávio poderá ampliar a vantagem mesmo sem conquistar parcela significativa de novos votos.
O desafio do segundo turno
O primeiro turno estabeleceu um ponto de partida claro: Flávio domina o interior da AMESC, lidera com folga nos maiores colégios eleitorais e chega ao segundo turno à frente em todos os municípios.
A disputa regional, portanto, não está centrada em saber quem vencerá a AMESC, mas no tamanho da diferença.
As principais questões para a apuração serão:
Araranguá ampliará ainda mais a vantagem absoluta de Flávio?
Turvo continuará com a maior diferença proporcional?
Balneário Arroio do Silva permanecerá como o município mais equilibrado?
Balneário Gaivota repetirá a maior taxa de abstenção?
Em quanto Flávio vai aumentar a diferença para o adversário em toda a região?
As respostas permitirão identificar não apenas o resultado do segundo turno, mas também quais grupos de eleitores efetivamente compareceram às urnas e para onde migraram os votos dos candidatos eliminados.

Marcial David Murara
Graduado em Ciencias Políticas
Graduando em Jornalismo
Escritor com 40 anos de vivência com o jornalismo catarinense
























