
O Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS) é muito mais do que uma simples “birra” na hora de ir para a escola; é uma psicopatologia que gera sofrimento intenso tanto para a criança quanto para a família. Caracterizado por medos irreais de que algo terrível aconteça aos pais ou de que a própria criança seja sequestrada ou morta, o TAS interfere diretamente no desenvolvimento e na rotina diária. Atualmente, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é reconhecida como a abordagem psicoterapêutica mais eficaz e o tratamento de primeira linha para enfrentar esse desafio.
A EFICÁCIA EM NÚMEROS: O QUE DIZEM AS PESQUISAS?
A TCC não é apenas uma conversa; é um método baseado em evidências científicas sólidas. Confira as estatísticas de sucesso apontadas pelos principais estudos internacionais:
- Taxas de Remissão: Programas de TCC estruturados, como o Friends e o Coping Cat, alcançam taxas de remissão (cura dos sintomas) entre 66% e 69%.
- Poder da Combinação: O estudo CAMS demonstrou que a combinação de TCC com medicação pode elevar a taxa de remissão para até 68% em casos graves.
- Resultados Duradouros: Os ganhos obtidos no tratamento são mantidos a longo prazo, com estudos mostrando estabilidade dos resultados após 7 anos do fim da terapia.
- Impacto Social: O TAS afeta entre 3% e 5% das crianças, sendo o transtorno de ansiedade mais comum na infância.
COMO A TERAPIA FUNCIONA NA PRÁTICA?
A TCC trabalha no tripé: pensamentos, comportamentos e sintomas físicos. O objetivo central é ajudar a criança a desenvolver confiança e autonomia.
1. Reestruturação Cognitiva: O terapeuta ajuda a criança a identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos (como “se minha mãe sair, ela nunca mais voltará”). Ela aprende a substituir o “diálogo interno negativo” por pensamentos mais realistas.
2. Exposição e Prevenção de Resposta (ERP): Considerado o elemento-chave da terapia. Através de um “termômetro do medo” (escala de 0 a 10), a criança lista situações temidas e, com o apoio do terapeuta, começa a enfrentá-las gradualmente, da menos estressante para a mais difícil.
3. Treinamento de Relaxamento: Para lidar com as dores de estômago e palpitações comuns no TAS, a criança aprende técnicas de respiração profunda e visualização, ganhando controle sobre seu próprio corpo.

O PAPEL ESSENCIAL DA FAMÍLIA
Diferente de outras terapias, a TCC exige a participação ativa dos pais. Frequentemente, os cuidadores, por medo ou ansiedade própria, acabam reforçando os comportamentos ansiosos da criança.
Programas como a Terapia de Interação Pais-Criança (PCIT) ensinam os pais a serem calorosos, mas firmes, aprendendo a não dar atenção excessiva aos protestos e a recompensar comportamentos de coragem e independência. O segredo do sucesso está em transformar o ambiente familiar em uma base segura que encoraje a exploração, e não o isolamento.
Se seu filho apresenta sofrimento persistente por mais de quatro semanas ao se separar, procure um profissional especializado em TCC. O tratamento precoce é a chave para evitar que a ansiedade infantil se transforme em transtornos de pânico ou depressão na vida adulta
Juliana da Rosa Mengue – CRP 12/4706
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