Resumo da semana | 26 a 30 de outubro de 2026

O mercado financeiro brasileiro viveu uma semana de verdadeiro terremoto. O Ibovespa sofreu uma das quedas mais expressivas de sua história recente, enquanto o dólar disparou, refletindo o aumento da aversão ao risco e a perda de confiança dos investidores no cenário econômico nacional.
O resultado foi uma combinação explosiva: bolsa em forte queda, moeda americana em disparada e juros futuros pressionados. Um movimento que evidencia o quanto o mercado pode reagir rapidamente quando as incertezas políticas e econômicas ganham força.
O desempenho dos mercados
– Ibovespa: queda de 18,12% na semana.
– Dólar comercial: valorização de 9,04%, encerrando próximo de R$ 5,44.
– S&P 500: recuo de 0,60%.
– Dow Jones: queda de 0,90%.
– Nasdaq: desvalorização de 2,00%.
O Ibovespa encerrou a sexta-feira aos 167.921,80 pontos, acumulando perdas de 9,88% em outubro.
A disparada do dólar, por sua vez, chamou ainda mais atenção. Uma valorização semanal superior a 9% representa um sinal contundente de deterioração das expectativas e de busca por proteção por parte dos investidores.
No exterior, o ambiente também foi de cautela. As empresas de tecnologia sofreram pressão diante das preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial e das avaliações consideradas exigentes de algumas gigantes do setor.




COMENTÁRIO DO ASSESSOR
O mercado deu um recado duro e bastante claro: confiança não se conquista com discursos, mas com credibilidade, responsabilidade fiscal e previsibilidade econômica.
A reação dos investidores demonstra que o Brasil continua extremamente sensível às incertezas políticas e, principalmente, à percepção de risco fiscal. Quando a confiança desaparece, o preço aparece rapidamente na tela: ações desabam, o dólar dispara e os juros futuros sobem.
Entretanto, é justamente em momentos como este que o investidor precisa separar emoção de oportunidade.
Uma queda expressiva não transforma automaticamente uma empresa em uma pechincha. Mas também não significa que todas as companhias perderam valor na mesma proporção. Empresas com balanços sólidos, baixa alavancagem, boa geração de caixa e vantagens competitivas podem acabar sendo negociadas a preços bastante interessantes em meio ao pânico generalizado.
Minha visão é de cautela, sem perder de vista as oportunidades que podem surgir. Evitar decisões impulsivas, preservar liquidez e selecionar ativos com rigor são atitudes fundamentais neste momento.
Na bolsa, o medo costuma derrubar os preços muito mais rapidamente do que os fundamentos das boas empresas. Mas é preciso saber diferenciar uma oportunidade de uma armadilha.
O investidor preparado não precisa adivinhar o fundo do mercado. Precisa ter estratégia, disciplina e capacidade de reconhecer valor quando ele aparece.

Charles Cancillier Bratti
Assessor de Investimentos
Mais de 17 anos de experiência no mercado financeiro.























