O mês de novembro marca o início do Novembro Azul, movimento global de conscientização voltado para a saúde masculina e a prevenção do câncer de próstata. A iniciativa teve origem na Austrália em 2003 com o movimento “Movember” e ganhou força no Brasil a partir de 2008, consolidando-se com o apoio da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) para incentivar o cuidado integral com a saúde dos homens.
O câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima a ocorrência de mais de 77 mil novos casos por ano no país. Em relação à mortalidade, dados do Ministério da Saúde registram entre 44 e 50 mortes diárias causadas pela doença, somando mais de 16 mil óbitos anuais. No entanto, quando diagnosticada na fase inicial, a neoplasia apresenta até 90% a 95% de chances de cura.
A origem da doença é multifatorial. Entre as principais causas e fatores de risco estão a idade avançada — com maior risco a partir dos 50 anos —, o histórico familiar de primeiro grau e mutações genéticas hereditárias (como nos genes BRCA1 e BRCA2). Homens negros também apresentam maior suscetibilidade e risco de tumores mais agressivos. Além disso, fatores de estilo de vida como obesidade, hipertensão, tabagismo e o consumo elevado de carnes vermelhas e processadas aumentam significativamente a chance de desenvolvimento da doença.
Em seu estágio inicial, o câncer de próstata é uma doença silenciosa que raramente apresenta sintomas perceptíveis. Os sinais costumam surgir apenas em fases mais avançadas, incluindo dificuldade e demora para urinar, jato urinário fraco, necessidade frequente de urinar (especialmente à noite), presença de sangue na urina ou no sêmen, disfunção erétil e dores ósseas.
Para garantir a melhor forma de diagnóstico preciso, a SBU recomenda a avaliação urológica periódica combinando a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) no sangue com o exame de toque retal. Havendo alterações nesses exames de rastreio, a confirmação definitiva é realizada por meio da biópsia de próstata.
Os tipos e níveis de tratamento dependem do estágio do tumor e da sua agressividade biológica. Para tumores de baixo risco, adota-se a vigilância ativa com acompanhamento médico regular. Nos casos em que o tratamento interventivo é necessário, as opções incluem a cirurgia (prostatectomia radical realizada via aberta ou por métodos minimamente invasivos, como laparoscopia e cirurgia robótica), a radioterapia e a hormonoterapia. Em estágios mais avançados ou metastáticos, são empregadas a quimioterapia, terapias genéticas com inibidores de PARP e novas abordagens focais, como o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação.
O principal desafio para que se possa reduzir os casos graves e as mortes pela doença reside no preconceito e no tabu cultural em torno do exame de toque retal. A resistência masculina em realizar exames preventivos aliada à falta de informação leva ao diagnóstico tardio, quando as possibilidades de cura são drasticamente reduzidas. Superar estigmas socioculturais, facilitar o acesso às consultas na atenção primária e conscientizar sobre o autocuidado contínuo são passos fundamentais para reverter esse quadro no país.
























