A missão compartilhada entre família e escola

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A ansiedade é um dos transtornos mentais mais prevalentes no mundo, estimando-se que cerca de 10% das crianças e adolescentes apresentem um quadro de ansiedade patológica. Diferente do medo passageiro, a ansiedade torna-se prejudicial quando é excessiva, persistente e interfere no desempenho escolar e nos relacionamentos sociais. Diante deste cenário, o papel dos pais e das instituições de ensino não é apenas de observação, mas de uma atuação conjunta e estratégica para o manejo e tratamento desses jovens.

O papel fundamental dos pais: acolhimento e regulação

Os pais são, geralmente, os primeiros a notar alterações sutis, como mudanças no sono, apetite, irritabilidade ou retraimento social. O suporte familiar é o pilar da regulação emocional, que é a capacidade de retornar ao equilíbrio após uma emoção intensa.

  • Validação Emocional: É essencial que os pais aprendam a nomear e validar o que o filho sente. Validar não significa concordar com um comportamento inadequado (como bater), mas acolher o sentimento (como a raiva), ajudando a criança a pensar em formas saudáveis de expressá-lo.
  • Rotina e Limites: Manter uma rotina organizada ajuda o corpo a manter o equilíbrio e diminui a imprevisibilidade, gerando confiança. Além disso, o controle do tempo de tela é crucial: estudos mostram que o uso excessivo de dispositivos digitais e redes sociais está diretamente correlacionado à intensificação de sintomas ansiosos.
  • Técnicas de Relaxamento: Em casa, os pais podem aplicar técnicas simples, como a respiração “flor e vela” (inspirar pelo nariz e soprar lentamente pela boca) ou a respiração em quadrado, que auxiliam o cérebro a enviar sinais de relaxamento ao corpo.

A escola como ambiente de identificação e intervenção

A escola é o local onde os sintomas de ansiedade costumam se manifestar com clareza, seja através da dificuldade de aprendizagem, timidez excessiva ou medo de avaliações.

  • Identificação Precoce: A equipe pedagógica deve estar capacitada para identificar sinais como pesadelos constantes, choro frequente e o uso de escalas de triagem, como a Escala de Ansiedade de Beck (BAI) ou a Escala de Spence, que medem a gravidade dos sintomas.
  • Dinâmicas de Grupo: Atividades como o “Círculo de Emoções” ou a escrita terapêutica no “Barco da Ansiedade” permitem que os jovens expressem seus medos em um ambiente seguro, promovendo a empatia e a resolução de problemas em grupo.

A sinergia necessária para o tratamento

O tratamento mais eficaz para a ansiedade infantojuvenil envolve uma abordagem multimodal, combinando psicoterapia (preferencialmente TCC), orientação familiar e, em casos moderados a graves, o uso de medicamentos como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS).

A colaboração entre terapeutas e pais é um dos fatores que mais aumenta a eficácia do tratamento. Quando a escola, os pais e os profissionais de saúde mental falam a mesma língua, a criança sente-se amparada para enfrentar seus medos. O objetivo final não é eliminar a ansiedade — uma emoção natural e necessária para a proteção humana — mas garantir que ela não domine a vida do jovem, permitindo um desenvolvimento saudável e feliz.

Psiccóloga Juliana da Rosa Mengue
CRP 12/4706

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