O avanço das apostas esportivas on-line, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santa Catarina e os desafios impostos pelo envelhecimento da população dominaram os pronunciamentos dos deputados durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), na manhã desta terça-feira (30).
O deputado Neodi Saretta (PT) manifestou preocupação com o crescimento das apostas esportivas on-line, conhecidas como bets, e seus reflexos sobre a saúde financeira e mental da população brasileira. Segundo o parlamentar, a ampla divulgação das plataformas de apostas em transmissões esportivas, redes sociais e demais meios digitais contribui para normalizar um comportamento que tem provocado um aumento significativo do endividamento das famílias. Saretta citou estudos que apontam as apostas on-line como o principal fator de endividamento dos brasileiros, superando, pela primeira vez, o impacto dos juros e do crédito. Conforme dados mencionados pelo deputado, aproximadamente 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida e cerca de 268 mil ingressaram em situação de inadimplência severa exclusivamente em razão dos gastos com apostas virtuais, segundo o levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O parlamentar também destacou que as plataformas movimentaram mais de 30 bilhões de reais em 2025, drenando recursos que antes eram destinados a despesas essenciais, como alimentação e moradia. “Precisamos discutir limites para essa atividade e ampliar a rede de atendimento em saúde mental para atender as pessoas que desenvolveram dependência das apostas”, afirmou. Saretta também defendeu projeto de sua autoria que proíbe o acesso a sites de apostas, cassinos e demais jogos de azar on-line, envolvendo dinheiro ou bens, em equipamentos públicos estaduais. Pela proposta, servidores públicos ficam impedidos de utilizar computadores, celulares e outros dispositivos pertencentes aos órgãos estaduais para acessar plataformas de apostas durante o expediente. O texto ainda determina a afixação de cartazes informativos nas repartições públicas e prevê a abertura de processo administrativo em caso de descumprimento da norma, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Segundo o deputado, o objetivo é preservar a produtividade no serviço público e prevenir problemas decorrentes da ludopatia. “Os jogos de azar podem levar a comportamentos compulsivos, causando prejuízos financeiros, sociais e familiares”, ressaltou.
A deputada Ana Campagnolo (PL) criticou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santa Catarina, que aconteceu sexta-feira (26) em Itajaí, e afirmou que o chefe do Executivo federal mantém uma postura de hostilidade em relação ao Estado. Durante o pronunciamento, a parlamentar relembrou uma entrevista concedida por Lula em 1979 para a revista Playboy e utilizou o conteúdo da declaração para criticar o presidente. “Nessa entrevista Lula admitiu que admirava Hitler, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro, entre outras personalidades”, disse. Ela ainda afirmou que Santa Catarina é um Estado que se destaca nacionalmente pela força de sua economia, pela grandeza de seu povo, pela arrecadação tributária, pela capacidade produtiva e pela acolhida de migrantes e refugiados, especialmente venezuelanos. “Nosso Estado é grande, de uma grandeza única e que apresenta indicadores positivos em áreas como segurança pública, geração de empregos e exportações”, enfatizou. Segundo Campagnolo, é um estado acolhedor que registrou o maior saldo migratório do Brasil (a diferença entre quem chega e quem sai). Dados do IBGE apontam que o estado atraiu mais de 503.000 novos moradores de outras regiões do país entre 2017 e 2022, resultando em um saldo positivo histórico de cerca de 354.000 pessoas. “Vivem em nosso Estado 70 mil venezuelanos, que fugiram do regime de Maduro, outro amigo de Lula”, disse. A deputada também criticou medidas do governo federal relacionadas à pesca, à linguiça Blumenau como patrimônio cultural do Estado e às discussões envolvendo o cultivo do pinus, afirmando que essas iniciativas prejudicam setores importantes da economia catarinense. Ao encerrar o pronunciamento, declarou que considera desnecessária a visita do presidente ao Estado. “Santa Catarina sofre de inveja real por ser um estado grande real”, enfatizou.
O deputado Mário Motta (PSD) destacou o acelerado processo de envelhecimento da população catarinense e defendeu o fortalecimento de políticas públicas voltadas à pessoa idosa. Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2024, o parlamentar informou que Santa Catarina possui aproximadamente 1,25 milhão de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 15% da população estadual. Segundo ele, o percentual de pessoas com 60 anos ou mais passou de 10,9% em 2014 para 15,6% atualmente. Segundo Mário Motta, as projeções demográficas indicam que esse percentual continuará crescendo nas próximas décadas, tornando indispensável o planejamento de políticas públicas nas áreas de saúde, assistência social, mobilidade, habitação e inclusão. “Estamos vivendo mais. A pergunta que Santa Catarina precisa responder é se estamos preparados para envelhecer”, afirmou. O parlamentar afirmou que o Fundo Estadual do Idoso é um instrumento essencial para financiar ações, fortalecer instituições, apoiar os municípios e ampliar os serviços destinados à população idosa. Ele também ressaltou que acompanha, desde 2023, a aplicação dos recursos destinados à área. Durante o pronunciamento, Mário Motta disse que, por anos, o fundo acumulou recursos sem a execução devida, mas reconheceu avanços na gestão em 2025. “Fiscalizar também é reconhecer quando há evolução, sem deixar d
Fonte: Assembleia SC





















