O pedido da campanha do presidente Lula para que o debate da TV Globo, marcado para sexta-feira, inclua um sistema de checagem de fatos em tempo real pode acabar criando dificuldades para o próprio candidato à reeleição. A avaliação é de José Benedito da Silva, editor de Política, que participou do programa Ponto de Vista desta quarta-feira, 21, apresentado por Laísa Dall’Agnol.
Segundo o jornalista, a proposta enfrenta obstáculos técnicos para verificar uma sequência de acusações sem interromper o confronto. Além disso, as declarações do petista também passariam pelo crivo da conferência, o que poderia gerar correções públicas durante o embate.
De acordo com as informações discutidas no programa, a campanha de Lula negocia a adoção do mecanismo para o encontro de sexta-feira. Até o momento da discussão, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado oficialmente sobre o tema. No entanto, mensagens de aliados petistas sugeriam que o adversário poderia recusar o debate caso a checagem fosse confirmada.
José Benedito classificou a iniciativa como uma “arma temerária” para o presidente. Em sua análise, Lula também costuma exagerar em dados e afirmações, o que o submeteria a retificações durante o confronto. Para o editor, o pedido ainda funcionaria como uma tentativa de constranger Flávio e obter vantagem na preparação para o encontro.
O jornalista ponderou que a verificação seria positiva se fosse tecnicamente viável e preservasse o dinamismo do debate. Sua ressalva está na capacidade de conferir, com agilidade, várias declarações sobre suspeitas de corrupção, movimentações financeiras e negócios mencionados pelos candidatos.
Ao recordar o primeiro bloco do debate da Band, José Benedito descreveu uma sucessão de ataques entre os adversários. “O primeiro bloco do debate da Band foi uma troca de socos e farpas”, afirmou. Segundo ele, o volume de acusações torna difícil oferecer respostas rápidas sem prejudicar o andamento do programa.
Por essa razão, o editor demonstrou ceticismo quanto à implantação do mecanismo pela emissora. Embora reconheça o benefício de conferir as falas, considerou difícil conciliar a checagem com o ritmo de um confronto semelhante ao realizado no domingo.
Na avaliação de José Benedito, o presidente precisa corrigir as falhas do primeiro encontro, no qual demonstrou despreparo para enfrentar Flávio apesar da experiência acumulada em disputas presidenciais. O editor considera que a posição dos candidatos nas pesquisas aumenta a pressão sobre o petista: enquanto o adversário tenta preservar a vantagem, Lula precisa buscar uma mudança.
“Se ele não ganhar o debate, ele não vira o jogo”, afirmou o jornalista. Para José Benedito, um desempenho superior no último confronto é necessário à tentativa de reação do presidente, que deve chegar mais preparado para responder aos ataques e sustentar suas intervenções.
O editor citou dados atribuídos ao Datafolha segundo os quais, no primeiro turno, 5% dos eleitores escolheram seu candidato à Presidência no dia da votação e outros 3%, na véspera. Para ele, essa parcela de 8% ajuda a dimensionar o potencial de influência de um evento realizado tão perto da eleição.
José Benedito destacou que a repercussão do debate continuará no sábado, com vídeos selecionados pelas campanhas e compartilhados nas redes sociais. Na avaliação dele, tanto a audiência do encontro quanto a circulação posterior desses trechos podem alcançar eleitores que ainda deixarão a decisão para os últimos momentos.
Fonte: Veja
























