Ana Campagnolo cobra autocrítica da direita após derrota de
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AUTOCRÍTICAAna Campagnolo cobra autocrítica da direita após derrota de Flávio Bolsonaro

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A deputada estadual Ana Campagnolo (PL) divulgou nesta quarta-feira (28) um vídeo de quase dez minutos em que faz uma análise crítica sobre o resultado da eleição presidencial, na qual Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado por Lula (PT) no segundo turno. No material, ela defende que a direita precisa repensar sua estratégia e não depositar todas as fichas apenas no pleito presidencial.

“Mais uma vez, a direita apostou tudo, tudo, no resultado de uma eleição. E não devia ser assim”, afirmou a parlamentar, que foi reeleita em outubro com 387.523 votos, a maior votação da história da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Ana Campagnolo lembrou que o PT venceu seis das sete eleições presidenciais realizadas neste século e classificou a vitória de Jair Bolsonaro em 2018 como uma “anomalia do sistema”, que, segundo ela, depois “se reorganizou pra eliminar essa ameaça”. A deputada questionou: “Nós vamos continuar acreditando que a solução é simplesmente eleger um presidente da República, só isso?”.

O vídeo foi gravado três dias após Flávio Bolsonaro declarar que não reconhece o resultado da eleição e que pretende pedir sua anulação. Ana Campagnolo disse que não deseja discutir se houve interferência na apuração, mas avaliou que a direita deveria se perguntar “quais são os meios de ação que nós temos para reverter esse quadro tenebroso que está desenhado pro nosso país”.

A deputada também criticou o discurso adotado na campanha presidencial do próprio partido. “O que que o discurso que restou ao Flávio fazer agora nessa campanha ainda tinha em comum com aquele que nós levantamos pra eleger o Bolsonaro?”, indagou. Em outro momento, questionou se um eventual governo de Flávio teria condições de governar: “E com o Flávio em 2026, cês acham que seria diferente?”.

As críticas mais duras foram direcionadas aos políticos de direita que já ocupam cargos eletivos. “Pra gravar vídeo caçando traidor, expondo melancia, aí um monte de gente faz. Mas quais são os resultados práticos?”, questionou. Ana cobrou dos colegas a construção de uma rede de lideranças em câmaras municipais, prefeituras, escolas, igrejas, associações e conselhos tutelares. “Ficar fazendo vídeo de indignação, xingando os adversários, não vai resolver o nosso problema.”

Como exemplo, a deputada citou sua própria trajetória política. Ana entrou na Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 2018 com 34.825 votos e, oito anos depois, multiplicou a votação por mais de dez. “Isso não aconteceu porque eu tenho só uma rede social forte. Aconteceu porque eu trabalhei pra construir uma rede presencial local forte”, afirmou.

Ana também mencionou tentativas “externas e internas, dentro do partido e fora” de destruir seu trabalho, “até por gente grande, internacional”. A deputada não especificou a quem se referia. Em outubro de 2025, Ana se opôs à indicação de Carlos Bolsonaro para disputar o Senado por Santa Catarina e entrou em atrito com a família Bolsonaro.

No encerramento do vídeo, a deputada colocou-se à disposição do PL para preparar materiais e treinamentos e levar a outros estados “o modelo que funcionou em Santa Catarina”. “A mudança precisa começar de baixo pra cima”, concluiu.

Até a tarde desta quarta-feira, a publicação contabilizava mais de 49 mil curtidas e quase 1,9 mil comentários. Parte dos seguidores elogiou a análise, outros cobraram união da direita, e houve também quem rebatesse a deputada alegando que a eleição teria sido roubada.

Fonte: Jornal Razão

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