O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a adotar um tom conciliador neste sábado, 27, durante evento do Partido Liberal em Goiás, onde foram lançadas candidaturas para as eleições municipais. Em seu discurso, o pré-candidato à Presidência destacou a necessidade de união e de superar divergências internas.
“É fundamental que todos nós, sem exceção, estejamos cada vez mais unidos e deixemos de lado nossas pequenas diferenças. Muitas vezes escolhemos caminhos distintos, mas todos visam o mesmo destino e objetivo”, declarou Flávio.
A fala ocorre após um período de tensão pública com a madrasta, Michelle Bolsonaro. Na quarta-feira, 24, ela publicou um vídeo de cerca de 30 minutos relatando ter sido desrespeitada e maltratada por ele em uma conversa telefônica.
Na noite anterior ao evento, ainda em Goiás, Flávio já havia buscado minimizar o ocorrido. Ao responder perguntas de jornalistas após uma caminhada religiosa, disse que o episódio era “página virada” e que tudo estava bem após conversar com seu pai, Jair Bolsonaro.
“Para que fique bem claro, da minha parte é bola para frente, página virada”, afirmou o senador, vestindo uma camisa branca, que classificou como “da paz”.
No evento deste sábado, Flávio também reforçou seu desejo de ter uma mulher como candidata a vice-presidente em sua chapa. Ele elogiou Ana Paula Rezende, que compõe a chapa de Wilder Morais (PL) para o governo de Goiás.
“O Wilder tem o privilégio de ter ao lado uma mulher tão qualificada como a Ana Paula. Peço a Deus que eu também tenha a honra de contar com uma vice tão competente quanto você”, disse Flávio.
O vídeo de Michelle gerou desgaste na campanha de Flávio. Na gravação, ela afirma que ele foi ríspido e a humilhou durante uma ligação, sugerindo que ela deveria “ficar de fora das decisões do partido”.
“Ele foi muito grosseiro, me desrespeitou e maltratou ao telefone. Disse que seria melhor eu me afastar das decisões partidárias, alegando que cheguei ontem e não entendo nada de política”, relatou Michelle.
O conflito teria origem na crítica pública de Michelle à decisão do diretório cearense do PL de apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado. Além disso, ela suspeitava que ataques de comunicadores próximos aos irmãos Bolsonaro, como Paulo Figueiredo e Kim Paim, seriam orquestrados pelos enteados.
A primeira reação de Flávio ocorreu na quarta-feira, durante uma live antes do jogo do Brasil pela Copa do Mundo. Ele tentou minimizar a briga, dizendo que “nada nem ninguém” o aborreceria naquele dia e que se sentia mais confiante para a pré-candidatura.
Horas depois, por volta das 23h, Flávio mudou o tom. Em uma longa nota, negou ter desrespeitado Michelle, mas pediu desculpas: “Se o fiz em algum momento, peço desculpas”. No texto, destacou sua trajetória de 24 anos na vida pública e afirmou ter “respeito e reconhecimento” pela madrasta.
Flávio também tentou inverter a narrativa, dizendo que ligou para Michelle na manhã de quarta-feira para convidá-la a uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas que ela não atendeu nem retornou a ligação, publicando os vídeos horas depois. Na quinta-feira, ele gravou um vídeo relendo a nota, mas suprimiu o trecho sobre a ligação.
No mesmo dia, Michelle voltou a se pronunciar. Em novo texto, afirmou que “não há briga nem competição” e pediu que não retirassem trechos de contexto para gerar confusão.
Fonte: Jovem Pan




















