PARECE INOFESIVOFones Bluetooth não trazem risco de radiação, alerta é volume alto

publicidade

A declaração de um médico mexicano sobre fones de ouvido sem fio gerou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a segurança desses dispositivos. Patricio Ochoa, formado em medicina e conhecido por seu trabalho com longevidade, comparou o uso de fones Bluetooth a colocar um aparelho de micro-ondas perto da cabeça, uma afirmação que rapidamente se espalhou e causou preocupação entre os usuários.

O especialista, que possui uma base de quase um milhão de seguidores no Instagram, fez a declaração em uma publicação recente. Sua colocação sugere que a radiação emitida pelos fones seria semelhante à de um forno de micro-ondas, o que imediatamente levantou questionamentos sobre possíveis danos à saúde cerebral.

Contudo, a comparação não encontra respaldo na ciência. Tanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros órgãos internacionais afirmam que a radiofrequência gerada por aparelhos Bluetooth homologados é muito inferior aos limites considerados seguros. A potência desses dispositivos é centenas ou até milhares de vezes menor que a de um forno de micro-ondas, como explicam especialistas em saúde e telecomunicações.

O próprio Ochoa reconheceu que a radiofrequência não é a mesma em ambos os aparelhos, mas mesmo assim sua frase inicial gerou alarme. Ele argumenta que tanto os fones quanto o micro-ondas usam ondas eletromagnéticas, mas a intensidade é completamente diferente, já que os fones operam em curta distância e com baixa potência para funcionar adequadamente.

Estudos realizados ao longo de décadas não encontraram evidências de que o uso de fones Bluetooth cause qualquer tipo de dano cerebral ou aquecimento dos tecidos, conforme apontam pesquisas revisadas por pares e posicionamentos de entidades reguladoras. A tecnologia é considerada segura quando o dispositivo é certificado e usado dentro das especificações recomendadas.

No entanto, isso não significa que o uso de fones de ouvido seja isento de riscos. O perigo real está no volume excessivo e no tempo de exposição, que podem levar à perda auditiva induzida por ruído (PAIR), uma condição irreversível que tem se tornado cada vez mais comum entre jovens e adolescentes, alertam profissionais de saúde auditiva.

A maioria dos fones de ouvido atinge níveis de volume entre 105 e 110 decibéis, um valor extremamente alto. A exposição a sons acima de 85 decibéis por mais de duas horas pode começar a causar danos, e no volume máximo, esses danos podem ocorrer em apenas cinco minutos, segundo audiologistas.

Exemplos práticos ilustram a gravidade: ouvir música por uma hora diária em volume acima de 88 decibéis pode resultar em uma perda de 5% da audição em um período de cinco anos. Isso se traduz em dificuldades para compreender conversas em ambientes ruidosos e zumbidos constantes, sinais de que o sistema auditivo está sobrecarregado.

Para minimizar os riscos, especialistas recomendam preferir fones que cobrem toda a orelha (over-ear) em vez dos modelos intra-auriculares (in-ear), que tendem a exigir volumes mais altos para isolar o som externo. Além disso, é importante evitar o uso de fones durante o sono, pois isso prolonga a exposição desnecessariamente.

A certificação da Anatel é um fator crucial, pois garante que o dispositivo atende aos limites de radiofrequência estabelecidos no Brasil. Fones sem esse selo podem emitir níveis fora do padrão e, portanto, representar um risco maior.

Patricio Ochoa, formado pela Universidade Anáhuac Norte, no México, tem especialização em longevidade pela Universidade de Barcelona e é membro do Institute for Functional Medicine. Seu conteúdo é voltado para biohacking e medicina funcional, áreas que ainda geram controvérsia na comunidade médica tradicional, mas isso não diminui a necessidade de embasar afirmações com evidências científicas.

A repercussão de sua fala mostra como informações sem fundamentos sólidos podem se espalhar rapidamente, especialmente quando vêm de profissionais com aparência de autoridade. No caso da comparação com micro-ondas, a literatura científica atual não apoia a analogia, e órgãos de saúde reforçam que não há motivo para pânico.

O que se deve levar em consideração é a saúde auditiva em longo prazo. A exposição contínua a ruídos altos é um dos principais fatores de risco para perda auditiva precoce, e isso é algo que as pessoas podem controlar no dia a dia, prestando atenção ao volume e fazendo pausas regulares.

A orientação prática é seguir a regra 60/60, ou seja, usar os fones por no máximo 60 minutos e depois descansar a audição por um período equivalente. Outra recomendação é verificar se o volume está em um nível confortável, sem precisar gritar para conversar com alguém ao lado.

Se a pessoa perceber sintomas como zumbido, sensação de ouvido tampado ou dificuldade para entender o que outros falam em ambientes barulhentos, é fundamental procurar um médico otorrinolaringologista para uma avaliação completa. Ignorar esses sinais pode levar a danos permanentes.

Em resumo, a tecnologia Bluetooth em si não apresenta riscos comprovados à saúde, desde que os dispositivos sejam homologados e utilizados de forma moderada. O que realmente ameaça a audição é o volume excessivo e o uso prolongado, fatores que estão sob controle de cada usuário.

Portanto, a preocupação com o aquecimento do cérebro ou efeitos térmicos dos fones é infundada segundo o conhecimento científico atual. Mas o cuidado com o que se ouve todos os dias terá impacto direto na qualidade de vida nos próximos anos, e é esse aspecto que merece atenção real.

Fonte: NSC Total

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade