SAÚDENova diretriz internacional redefine tratamento da puberdade precoce, liderada por brasileira

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Uma nova diretriz internacional, publicada pela Sociedade de Endocrinologia e liderada pela cientista brasileira Ana Claudia Latronico, estabelece mudanças importantes no diagnóstico e tratamento da puberdade precoce central (PPC). O documento foi tema de editorial na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, uma das publicações mais respeitadas da medicina mundial.

A puberdade precoce central é caracterizada pelo início da maturação sexual antes da idade considerada adequada: antes dos oito anos em meninas e antes dos nove anos em meninos. Essa condição pode gerar impactos físicos e emocionais, e a nova diretriz busca atualizar as condutas médicas em relação ao consenso anterior, que datava de mais de 15 anos.

Entre as principais orientações do documento, destacam-se quatro pilares fundamentais. O primeiro é a priorização da observação clínica antes de qualquer intervenção imediata. Para meninas em idade limite, a recomendação é realizar acompanhamento com exames físicos periódicos, a cada quatro a seis meses, em vez de iniciar testes laboratoriais ou de imagem de forma precipitada.

A segunda mudança envolve a adoção do exame de LH basal (hormônio luteinizante) como primeira etapa de avaliação, utilizando metodologia ultrassensível. Essa abordagem reduz drasticamente a necessidade de testes de estímulo hormonal, que eram tradicionalmente utilizados na investigação da PPC.

O terceiro ponto estabelece que exames genéticos e ressonâncias magnéticas cerebrais devem ser reservados para casos com indicações clínicas específicas, como suspeita de lesões neurológicas. Essa medida evita procedimentos desnecessários e reduz a exposição de pacientes a riscos e custos extras.

Por fim, a diretriz determina que o tratamento hormonal não deve ser iniciado de forma padronizada. Antes de qualquer terapia, é imprescindível que profissionais de saúde, pacientes e familiares dialoguem sobre os benefícios reais, os potenciais riscos e os impactos a longo prazo, considerando o contexto individual de cada criança.

A pesquisadora Ana Claudia Latronico, titular de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), liderou o grupo de especialistas que elaborou a diretriz. Ela enfatiza que a proposta é oferecer uma abordagem mais personalizada e baseada em evidências, indicando exames e tratamentos apenas para aqueles que realmente se beneficiarão. Isso representa um avanço tanto para a prática clínica quanto para a qualidade do cuidado aos pacientes.

Para Latronico, a publicação na The Lancet é um reconhecimento importante da ciência brasileira. Segundo ela, a conquista demonstra que a pesquisa realizada no país está conectada com as demandas globais de saúde e pode contribuir para orientar diretrizes que impactam a pediatria em todo o mundo.

A endocrinologista britânica Sasha Howard, que assina o editorial da revista, resumiu a essência da nova abordagem com a frase: “menos pode ser mais”. Essa expressão reflete o princípio de evitar medicalização excessiva quando a evolução natural do quadro não apresenta riscos significativos.

O documento completo foi disponibilizado na íntegra na publicação original e representa um marco na endocrinologia pediátrica, pois atualiza conhecimentos e alinha as práticas clínicas às evidências científicas mais recentes. A orientação final é que os profissionais de saúde estejam atentos às novas diretrizes para oferecer um cuidado mais eficiente e humano.

Com a atualização, espera-se que a avaliação da puberdade precoce seja mais criteriosa, reduzindo o número de crianças submetidas a intervenções desnecessárias e promovendo uma melhor qualidade de vida para pacientes e famílias.

Fonte: ND+

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