O grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeitou nesta quinta-feira (4) a proposta de cessar-fogo condicional apresentada por representantes do Líbano e de Israel. Em vez disso, a facção exige uma interrupção completa dos combates e a retirada das forças israelenses do território libanês.
Em uma declaração transmitida pelo canal Al Manar, controlado pelo movimento, o líder Naim Qasem afirmou que qualquer trégua precisa ser global e não pode permitir que o inimigo atue livremente no Líbano.
Na quarta-feira (3), enviados israelenses e libaneses realizaram a quarta rodada de negociações em Washington, nos Estados Unidos. Eles concordaram com um cessar-fogo condicionado à suspensão dos ataques do Hezbollah e à retirada de todos os membros do grupo da região ao sul do rio Litani, que fica a cerca de 30 quilômetros da fronteira entre os dois países.
Para Qasem, uma retirada do Hezbollah representaria uma rendição. Um alto funcionário do grupo, que preferiu não se identificar, confirmou à agência AFP a recusa ao acordo, informando que a decisão foi repassada ao presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado da organização.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, aguardava a resposta do Hezbollah ao pacto do dia anterior, que ele descreveu como uma última chance para um cessar-fogo abrangente.
Qasem criticou duramente as negociações, chamando-as de farsa e humilhação, e pediu ao governo que as interrompa. Ele alertou que, enquanto o povo libanês não estiver seguro, os assentamentos no norte de Israel também não estarão.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, anunciou que o exército começará a se mobilizar em zonas-piloto no sul do país, considerando isso um primeiro passo tangível. No entanto, a população permanece cética.
Mohamad Chamsedin, de 56 anos, que deixou sua casa nos arredores de Beirute, disse à AFP que esta não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o exército continuará seus ataques e operações terrestres por enquanto, mantendo liberdade de ação com apoio americano para atacar Beirute em resposta a bombardeios contra comunidades israelenses.
As forças israelenses ordenaram a evacuação da região ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira, enquanto continuam atacando a infraestrutura do Hezbollah.
A agência de notícias estatal libanesa NNA relatou ataques de drones israelenses em várias cidades no sul e leste do país. Além disso, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) informou que um soldado da paz sérvio morreu e outros dois ficaram feridos após um bombardeio atingir sua base na noite de quarta-feira no sul do Líbano.
A situação na fronteira libanesa afeta as negociações entre Estados Unidos e Irã. O Irã exige o fim das hostilidades no Líbano como condição para um acordo que encerre a guerra regional iniciada em fevereiro.
Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, pareça otimista, os ataques continuam esporadicamente no Golfo e as conversas estão estagnadas. A Guarda Revolucionária do Irã exigiu a retirada do exército israelense do Líbano, com seu chefe, general Esmail Qaani, afirmando que apoiar a resistência no Líbano é dever de todos.
Israel e Líbano já haviam concordado com um cessar-fogo em 17 de abril, mas ele nunca se traduziu em calma genuína. O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional que começou com a ofensiva de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Os bombardeios israelenses mataram mais de 3.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão no Líbano desde 2 de março, segundo autoridades libanesas. Do lado israelense, 26 soldados e um civil terceirizado morreram em território libanês.
Trump quer separar a frente libanesa da frente iraniana para encerrar uma guerra impopular entre os americanos. Na quarta-feira, a Câmara dos Representantes dos EUA pediu o fim da guerra em uma votação simbólica, que Trump classificou como antipatriótica.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que os Estados Unidos e Israel tentam dividir seu país após este sofrer um duro revés na guerra.
Fonte: Jovem Pan
























