ECONOMIAInflação oficial do Brasil supera teto da meta e atinge maior nível para maio em cinco anos

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O índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA, registrou alta de 0,58% em maio, conforme divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (12). Embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior, quando subiu 0,67%, a taxa de maio é a maior para o mês desde 2021, quando foi de 0,83%. O resultado surpreendeu o mercado, superando a mediana das projeções de 0,53% coletadas pela Bloomberg.

A inflação acumulada em 12 meses até maio atingiu 4,72%, acima dos 4,39% registrados até abril. Com isso, o IPCA ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, algo que não acontecia desde outubro do ano passado. A meta é referência para a definição da taxa básica de juros, a Selic.

O Comitê de Política Monetária do BC se reúne na próxima semana para decidir a nova taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Analistas preveem um novo corte de 0,25 ponto percentual, mas não descartam uma pausa no ciclo de redução diante do quadro inflacionário desafiador.

O economista Carlos Lopes, do banco BV, avaliou que o BC deve prosseguir com o corte de 0,25 ponto, mas considera plausível uma interrupção imediata, dado o contexto complicado da inflação. Já a instituição Asa projeta redução de 0,25 p.p. na próxima reunião, mantendo a Selic em 14,25% até o fim do ano. Para Leonardo Costa, economista da Asa, a inflação continua sendo uma preocupação para a autoridade monetária.

Entre os nove grupos que compõem o IPCA, o destaque de alta foi alimentação e bebidas, com variação de 1,33% em maio. Esse segmento respondeu por metade do índice mensal, contribuindo com 0,29 ponto percentual. A alimentação no domicílio subiu 1,65%, maior taxa para maio em 18 anos.

Os principais vilões foram a batata-inglesa, com alta de 44,69%; o tomate, 20,62%; a cebola, 16,8%; e as carnes, 1,39%. Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, esses aumentos estão ligados à menor oferta e ao impacto do frete, influenciado pela alta dos combustíveis.

Parte da pressão sobre os combustíveis decorre do conflito no Irã, que elevou as cotações do petróleo e dos fertilizantes. No Brasil, o óleo diesel subiu, afetando o transporte rodoviário. A continuidade desses fatores pode manter a inflação sob pressão nos próximos meses.

O BC, que iniciou cortes na Selic em março, enfrenta agora um cenário de piora das expectativas inflacionárias. A decisão do Copom, na quarta-feira (17), será acompanhada de perto pelo mercado, que aguarda sinais sobre o futuro da política monetária.

Fonte: O Sul

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