VIOLÊNCIAMais da metade dos feminicídios em SC neste ano ocorre nos fins de semana

publicidade

Dados divulgados pelo Observatório de Violência contra a Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina revelam que 53% dos feminicídios ocorridos no estado entre janeiro e junho de 2026 foram cometidos durante os fins de semana. O levantamento contabilizou 28 assassinatos de mulheres motivados por gênero no período, dos quais 15 aconteceram aos sábados ou domingos.

O sábado foi o dia crítico, concentrando nove ocorrências — o equivalente a um terço do total. Já os domingos registraram seis feminicídios. As sextas-feiras também se destacam, com quatro casos, mesmo número observado às quartas-feiras. Segundas-feiras tiveram três ocorrências; terças e quintas, uma cada.

A tendência de violência intensificada nos fins de semana não se restringe aos assassinatos. As agressões físicas enquadradas na Lei Maria da Penha — lesão corporal leve ou gravíssima dolosa — também crescem nesses dias. Das 9.707 notificações desse tipo de crime no período, 4.067 (41,9%) ocorreram em sábados ou domingos: 2.162 nos domingos e 1.905 nos sábados.

Os feriados também concentram picos de violência. O dia 1º de janeiro de 2026, por exemplo, registrou 127 casos de lesão corporal leve ou grave, o maior volume diário do semestre. A data, que celebra a Confraternização Universal, é marcada por festas e maior consumo de álcool, fator apontado como agravante.

Para a presidente da Comissão Especial de Combate à Violência Doméstica da OAB Nacional, Tammy Fortunato, o aumento de bebidas alcoólicas e drogas nos fins de semana contribui para desinibir agressores. Ela explica que o uso dessas substâncias reduz o chamado freio inibitório — mecanismo cerebral que controla impulsos e reações automáticas. Com menos controle, o indivíduo torna-se mais propenso a descarregar a raiva contra a parceira.

Tammy ressalta que o padrão não é exclusivo de Santa Catarina. Ela afirma que estatísticas nacionais apontam a mesma concentração de feminicídios e agressões nos dias de descanso, o que reforça a necessidade de políticas públicas específicas para esses períodos.

A especialista também destaca que o álcool não age como causa única da violência, mas como catalisador em contextos de relacionamentos abusivos. Muitos agressores já apresentam comportamentos violentos, e a substância apenas intensifica a agressividade, tornando-a mais letal.

O caso mais recente de feminicídio em Santa Catarina ocorreu na madrugada de segunda-feira (6) em São José, na Grande Florianópolis. Greiziane da Silva Luz, de 29 anos, foi encontrada morta na rodovia SC-281, nua e com ferimentos. Ela foi arrastada por alguns metros ao ficar presa na porta do carro do namorado, principal suspeito.

De acordo com a Polícia Civil, o casal vivia uma relação marcada por conflitos frequentes. Greiziane havia registrado ao menos dois boletins de ocorrência contra o homem por lesão corporal e ameaça, demonstrando um histórico de violência que culminou no assassinato.

O Observatório também lista o perfil das vítimas em 2026: Priscila Dolla, 37 anos; Tateana Medeiros, 43; Carla Denise Ely da Silva, 31; Daiane Simão da Costa, 33; Grasilea de Cândido, 39; Marivane Fátima Sampaio, 25; e Ana Leda Santoro, 70, entre outras. Os nomes revelam a diversidade etária e social das mulheres mortas pela violência de gênero.

Os dados consolidados indicam que os fins de semana representam um período de maior risco para as mulheres em Santa Catarina. A concentração de feminicídios e agressões nesses dias exige atenção redobrada das autoridades e da sociedade, especialmente em ações preventivas e de acolhimento às vítimas.

O monitoramento contínuo dos casos, como o feito pelo Observatório, é fundamental para orientar políticas de combate à violência doméstica e reduzir o número de mortes evitáveis. A tendência observada no estado reflete um problema nacional que demanda respostas integradas entre segurança pública, justiça e assistência social.

Fonte: NSC Total

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade