Empossado em julho, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, afirmou que a instituição não adota uma linha ideológica e que deseja fortalecer os laços com a comunidade catarinense. A declaração foi dada em entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da rádio CBN Floripa, nesta sexta-feira (14).
Segundo o dirigente, a universidade deve ser um espaço de diálogo aberto, no qual diferentes posicionamentos possam ser expressos com respeito e fundamentação. Ele destacou que a liberdade de manifestação é garantida, desde que haja civilidade e argumentação baseada em fatos e análises consistentes.
Nos últimos anos, a UFSC tem sido palco de tensões envolvendo grupos com pautas identitárias e progressistas, o que gerou críticas de estudantes e professores que se identificam com a direita. Relatos de tentativas de silenciamento de vozes divergentes, por meio de pressões informais, alimentaram a percepção de um ambiente acadêmico menos plural.
Com a nova gestão, há expectativa de que o clima institucional seja mais aberto e acolhedor a todas as correntes de pensamento. O reitor sinalizou que a universidade pretende se reconectar com setores que se sentiam distantes da administração, reforçando seu papel como referência no ensino superior catarinense.
Oliveira Júnior também mencionou o interesse em ampliar a interação com o setor produtivo, disponibilizando o conhecimento gerado na universidade para contribuir com soluções em áreas como saúde, transporte e educação. Ele se mostrou receptivo a propostas de cooperação vindas de governos e empresas, desde que alinhadas aos objetivos acadêmicos e sociais da instituição.
No campo financeiro, o reitor afirmou que a relação com o governo federal é essencial para assegurar o orçamento, mas que também buscará fontes alternativas de receita. Projetos de pesquisa, ensino e extensão foram citados como potenciais geradores de recursos próprios, o que poderia reduzir a dependência de repasses federais.
Outro ponto destacado foi a necessidade de cuidar da infraestrutura física da universidade. Para o professor, um campus bem cuidado, com espaços agradáveis e seguros, é fundamental para transmitir uma imagem positiva e atrair alunos e visitantes. Ele enfatizou que a manutenção dos prédios e jardins é parte do compromisso com a comunidade acadêmica e com a população em geral.
Dados apresentados pelo reitor mostram que a UFSC já formou mais de 178 mil profissionais em todos os níveis de ensino. Desses, aproximadamente 60 mil são empreendedores que criaram cerca de 107 mil empresas, um indicador do impacto econômico e social da universidade na região.
Oliveira Júnior encerrou sua participação no programa reforçando a importância de a instituição se manter relevante e conectada às demandas da sociedade. Na visão dele, essa sintonia é o que justifica a existência da universidade pública e garante sua sustentabilidade a longo prazo.
Fonte: NSC Total

























