A 9ª etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), trouxe à tona indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, teria se beneficiado de uma série de vantagens ilícitas. De acordo com a Polícia Federal (PF), os benefícios incluem repasses que totalizam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa vinculada à nora do político, além da aquisição de um imóvel avaliado em milhões de reais na Bahia, com a intermediação de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, também alvo da operação.
As investigações apontam que a relação entre as partes envolveu uma negociação suspeita referente a um apartamento no condomínio Poeme Residence, unidade 1702, localizado no bairro do Horto Florestal, uma região nobre de Salvador. Documentos obtidos pela Jovem Pan indicam que a PF identificou uma troca de mensagens entre Jaques Wagner e Augusto Lima em novembro de 2024, na qual o senador afirma que “a unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”. No dia seguinte, um catálogo digital do empreendimento teria sido enviado.
Na mesma data, Augusto Lima realizou uma chamada de voz com Valério Marega Júnior, apontado como operador financeiro ligado a fundos e sociedades usadas no contexto do Banco Master. Durante a conversa, teriam sido repassados os dados do corretor, do empreendimento, da unidade e o valor do imóvel. Os registros policiais mostram que as tratativas sobre o apartamento prosseguiram mesmo após o início da primeira fase da Compliance Zero, com o envio de minutas de cessão de direitos, videoconferências e comunicações com operadores jurídicos.
Em maio de 2025, Wagner encaminhou a Augusto uma mensagem originalmente enviada por um filho ou filha — identificado pelo tratamento “Pai” — solicitando os dados do proprietário formal do apartamento para a emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), necessário para a realização de obras no imóvel, com prazo até 19 de maio. O senador repassou o pedido a Augusto, que no dia seguinte forneceu o contato de David Lopes Monteiro, operador financeiro do grupo.
A decisão judicial utiliza esse episódio para sustentar que o imóvel estava “formalmente vinculado a terceiro, em estrutura de dissimulação da titularidade real”. A ilegalidade da transação, segundo a PF, reside justamente na ocultação do verdadeiro beneficiário. Nos documentos, a empresa Epítome S.A. figura como a adquirente formal do apartamento, o que reforça a suspeita de que o imóvel foi comprado de forma indireta para Jaques Wagner.
A operação policial também revelou que os envolvidos continuaram a tentar regularizar a situação do imóvel mesmo depois de se tornarem alvos das investigações. A PF aponta que as mensagens trocadas entre Wagner, Augusto Lima e outros operadores indicam um esforço conjunto para formalizar a transação, mas mantendo a aparência de legalidade por meio de terceiros.
Jaques Wagner, que já foi governador da Bahia e ministro, nega qualquer irregularidade. Sua defesa afirma que todas as transações foram legais e que o senador sempre agiu dentro da lei. A operação Compliance Zero investiga supostos desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e outras instituições financeiras.
Fonte: Jovem Pan
























